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AMAURY BURLAMAQUI BENDAHAN
Pesquisador - EMBRAPA/CPAFRR Grande é a preocupação de vários pesquisadores em relação à utilização das pastagens de forma pouco racional. Os produtores, por sua vez, sempre se mostram insatisfeitos com os capins conhecidos, buscando o tão almejado “capim milagroso”, entretanto, a grande maioria adota práticas de manejo das pastagens que não resultam em melhoria dos índices produtivos. O manejo inadequado das pastagens traz conseqüências desastrosas à economia das propriedades. Verifica-se redução progressiva na capacidade produtiva das pastagens, até a plena degradação, levando à necessidade de recuperação, que, em geral, encontra o produtor sem recursos, pois o ciclo pobreza dos pastos atinge a economia da atividade, afetando, também, solo, água, gado, além de impactos ao meio ambiente. A má formação das pastagens, capins não adaptados às condições locais, não reposição dos nutrientes, falta de controle das invasoras e manejo inadequado das pastagens (superpastejo ou pastejo inapropriado) são fatores que abreviam a degradação das pastagens. É importante saber que a adoção de uma única medida apenas para se tentar melhorar as condições das pastagens não trará os resultados esperados. É imprescindível que sejam tomadas medidas em conjunto, ou mesmo que se siga uma ordem de prioridades, deve-se começar pelo dimensionamento da área efetiva das pastagens; redivisão em pastos menores; adoção de práticas de manejo que dêem ao capim condições de rebrota e desenvolvimento; controle da quantidade de animais para não haver excesso no pastejo; controle eficiente das invasoras; e reposição de nutrientes. Quando o agricultor vai realizar o plantio de sua lavoura, já sabe que a cultura que vai plantar tem um ciclo de vida, então, faz um planejamento para saber quanto vai gastar e estimar a área que é possível plantar, depois faz um calendário de tratos culturais até a colheita. Ao colher todo o material, invariavelmente, se for seguido todo o cronograma, sem problemas com intempéries e com máquinas bem reguladas, vende ou estoca o que foi produzido, obtendo lucro. Na pecuária ocorre que, via de regra, o pecuarista não sabe ou não dá a devida importância ao ciclo dos capins, pois não fez o planejamento alimentar para o rebanho, aí, em épocas de menor oferta de pastos, ou pela aquisição de animais, diante de bom preço, acaba por sacrificar parte de suas pastagens. Perde o momento ideal da colheita de seu pasto (pelo animal via pastejo), perdendo em qualidade e quantidade das pastagens, visto que manejou de forma incorreta, o que, caso não tome medidas posteriores, levará à degradação das pastagens em curto intervalo de tempo. Deve-se entender o manejo das pastagens, como a arte e a ciência de planejar e gerir a utilização da forragem disponível, no intuito de se obter o máximo de produtividade animal, sem prejudicar as plantas forrageiras e o meio que a cerca. O fator de maior importância que limita a rentabilidade da pecuária é a alimentação. Há estimativas de que 90% dos animais na pecuária brasileira passam por períodos, mesmo que curtos, de insuficiência alimentar. Com o planejamento alimentar do rebanho feito de maneira correta, o pecuarista obterá ganhos em produtividade animal e dos capins. Em conseqüência terá o aumento do seu lucro e obterá maior eficiência em sua exploração, se não desperdiçar forragens e ofertar quantidades suficientes de alimentos aos animais, para que possam expressar todo o seu potencial. Cada região possui características próprias de solo e clima, por isso é importante o auxílio de um técnico para o dimensionamento da produção de alimentos e utilização de estratégias tais como: utilização de silagem; de feno; diferimento de pastagens; utilização de adubações e de produção; plantio de forrageiras anuais (milheto, sorgo etc.); utilização da cana-de-açúcar; de resíduos da agricultura (integração lavoura-pecuária); e de resíduos da agroindústria vegetal (farelos, óleos, tortas etc), ou, em regiões de climas favoráveis, apenas o redimensionamento do rebanho em função da forragem produzida durante o ano. Outras medidas a serem tomadas, dizem respeito ao treinamento, capacitação e valorização da mão-de-obra em todos os níveis, tendo contínua reciclagem, onde o proprietário deverá se incluir, deixando para trás conceitos antigos e profissionalizando sua propriedade. Ressalta-se que a busca por variedades melhores e, quem sabe, em futuro próximo, capins geneticamente modificados, que atendam todas as ansiedades dos produtores, ou venham atender a necessidade de rebanhos geneticamente superiores pelo constante aprimoramento genético e pela possível produção comercial de clones de animais deve ser, e é, uma procura incessante das instituições de pesquisa. No entanto, o que o produtor pode, deve e necessita fazer para ser competitivo hoje, é aproveitar ao máximo as forrageiras existentes no mercado e as que já possui em sua propriedade, conhecendo suas características, necessidades em reposição de nutrientes e manejo. E para que isso ocorra, é necessário entender as pastagens como cultura tecnificada.
BENDAHAN, A.B. Capim milagroso ou planejamento alimentar para o gado?. Agronline.com.br. Disponível em: <http://www.agronline.com.br/artigos/artigo.php?id=238>. Acesso em: 19 de maio de 2013.
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