27-05-2003
Antes de o brasileiro ser um sonho, na imaginação de algum sonhador, já existia a galinha. Darwin considera que são descendentes do galo banquiva, ave selvagem que vive na Índia. Segundo a Enciclopédia Encarta, a “galinha é um dos primeiros animais domésticos mencionados na história escrita. Há referências a esse animal em antigos documentos chineses, com indicações de que essa ‘criatura do Ocidente’ foi introduzida na China antes do ano 1400 a.C”. É símbolo nacional na França e seu canto simboliza a ressurreição de Cristo.
Três mil e quinhentos anos depois, o brasileiro consegue produzir frango com tecnologia própria, tanto administrativa como científica, e começa a derrubar todas os recordes de produção e qualidade. Hoje somos padrão mundial no setor.
De herói do Plano Real a locomotiva das exportações, o produtor nacional de frangos separou a produção do frango, de sua criação e abate, conseguindo criar “fábricas” da saudável e necessária proteína animal que alimenta várias regiões do mundo. Seria um excelente negócio se o mercado, tão endeusado pelos países ricos, fosse um deus sério, correto. Não o é. Sofre influências, suga riquezas de uns em benefício de outros, transitando numa via paralela àquela defendida pelos verdadeiros liberais. Foi então que começaram a consertar o mercado para garantir a boa vida nos países ricos. Continuaram a pregar a abertura enquanto fechavam suas fronteiras comerciais. Novas ferramentas foram criadas: barreiras sanitárias, privilégio a determinados países (ex-colônias, fornecedores de droga etc.), dumping e os famigerados subsídios, verdadeiras máquinas de distorção de mercados.
Este é o mundo, cruel e disforme, onde economias pouco desenvolvidas tentam superar suas limitações e desenvolver sua sociedade. Difícil tarefa que deverá ser costurada, garimpada através de negociações, difíceis e demoradas, mas necessárias.
Entendemos que o Associativismo e o Cooperativismo, a terceira via que surge entre o sonho socialista e a dura e deformada realidade capitalista, seja o caminho. Nacional e internacional. O Brasil está aquém das expectativas quanto à participação da produção cooperativada no total do PIB. Os países mais adiantados têm participação bem maior. Há um ressurgimento nos ideais cooperativistas por estas bandas, após o relacionamento conturbado e esdrúxulo da Cooperativa e o Estado, em décadas passadas.
Ressurge a esperança num governo comprometido com o cooperativismo e no Ministro da Agricultura escolhido, Roberto Rodrigues, de prestígio internacional justamente por seu conhecimento e trabalho em prol do cooperativismo. Quem sabe é agora...