19-10-2009
A rigidez organizacional e a falta de pessoal qualificado nas empresas são pontos que dificultam a transferência de tecnologia e que são percebidos tanto por pesquisadores e técnicos de empresas públicas, como a Embrapa, quanto por empreendedores do setor privado. Esta é uma das conclusões da pesquisa realizada pela PUC-Rio e a Embrapa sob o título “Identificação de Entraves para a Transferência de Tecnologia: um estudo de caso da Embrapa Agroindústria de Alimentos e o setor produtivo de frutas e hortaliças”.
Este estudo teve por objetivo identificar os pontos críticos para a transferência de tecnologia para o setor produtivo. Parar isso, foram ouvidos os principais atores envolvidos no processo: os pesquisadores e analistas, que geram e transferem as tecnologias, e os empresários do setor de frutas e hortaliças que já trabalharam com a Embrapa.
Foi possível perceber que o número de entraves identificados pelo grupo da Embrapa foi maior que o número de entraves percebidos pelo grupo das empresas. Isso pode ter ocorrido em função de que os casos de transferência estudados terem sido de experiências bem sucedidas, pelo menos no que diz respeito a etapa técnica. Mesmo assim, o processo não foi simples.
Entre os entraves identificados neste estudo alguns deles coincidiram com problemas já relatados em literaturas relacionadas ao tema. Podemos citar: geração de tecnologias orientadas apenas para o produto; falta de conhecimentos complementares ao técnico para comercialização de tecnologias; baixa interação entre a instituição de pesquisa e o setor produtivo; falta de estrutura de apoio, estímulo e valorização à proteção intelectual; falta de procedimentos sistematizados para o resgate e utilização do conhecimento técnico e científico acumulado na transferência e geração de inovações; e falta de tecnologias prontas para serem transferidas.
Ao mesmo tempo, outras questões foram identificadas na pesquisa como: dificuldade para utilização de recursos financeiros associada à burocracia pública; dificuldade de crédito a juros baixos para o pequeno empresário; e, principalmente, o tempo da pesquisa “versus” o tempo da indústria.