03-10-2005
O capim elefante é uma espécie forrageira de grande importância na alimentação de ruminantes, pela facilidade de implantação, adaptação e manejo, além da elevada produtividade. A espécie está amplamente distribuída por todas as regiões do país e é a gramínea mais utilizada para formação de capineiras para corte, e, ultimamente, para pastejo. Entretanto, uma desvantagem do capim-elefante é a estacionalidade da produção devido à deficiência hídrica, que pode ser superada pelo uso de irrigação. A irrigação, quando associada à adubação nitrogenada pode aumentar entre 20 e 70% a produção matéria seca das pastagens. Este trabalho teve por objetivo avaliar o efeito do nitrogênio e da idade de corte na produção de matéria seca do capim-elefante Cameroom Roxo irrigado nas condições edafoclimáticas dos tabuleiros costeiros do Piauí e Maranhão.
O experimento foi conduzido no período de agosto a outubro de 2002 e julho a agosto de 2003, na Unidade de Execução de Pesquisa de Parnaíba, pertencente a Embrapa Meio-Norte, localizada no município de Parnaíba, Piauí. O clima da região é quente e úmido, com estação seca bem definida (julho a dezembro) e pluviosidade média anual de 1.300 mm. A média das temperaturas máximas é de 36oC enquanto que a das mínimas é de 22oC. O solo da área é um Neossolo Quartzarênico Órtico Típico, de relevo plano. Avaliaram-se os efeitos de três níveis de nitrogênio (150, 300 e 450 kg/ha/ano) e cinco idades de corte (28, 35, 42, 56 e 84 dias) sobre a produção de matéria seca do capim elefante, cultivar Cameroon. O delineamento experimental foi em blocos casualizados, parcelas subdivididas e quatro repetições. O capim foi plantado por meio de estacas em covas, em área irrigada por aspersão fixa de baixa vazão, com turno de rega de cinco dias. Após o corte de uniformização foram aplicados os níveis de nitrogênio, usando-se uréia. Nas idades previamente estabelecidas, foram cortadas as parcelas de cada tratamento, e retiradas amostras que foram submetidas à secagem em estufa com circulação forçada de ar a 65oC por 72 horas.
Os rendimentos de matéria seca foram incrementados com a idade das plantas, sendo os maiores valores obtidos com o corte aos 84 dias (14,96 t/ha/corte), seguido do corte aos 56 (8,47 t/ha/corte). A produção do corte realizado aos 42 dias (4,46 t/ha/corte) não diferiu da produção de 35 dias (3,09 t/ha/corte) e esse, não diferiu daquele dos 28 dias (2,68 t/ha/corte). Os cortes das plantas em estádios mais avançados de crescimento proporcionam maiores rendimentos de forragem, como conseqüência do maior período de tempo para o acúmulo de matéria seca. Entretanto, cortes freqüentes implicam, geralmente, em menor produção fotossintética devido à constante remoção da folhagem, menor acúmulo de reservas orgânicas e rebrotas menos vigorosas com o decorrer do tempo. A aplicação de 450 kg/ha/ano de N implicou em maior rendimento de forragem, superando em 15% a aplicação de 300 kg/ha/ano de N e em 30% a aplicação de 150 de kg/ha/ano de N. A eficiência do nitrogênio aplicado, independentemente das idades de corte, foi inversamente proporcional às doses aplicadas: 39,2; 22,1 e 17,0 kg de MS/kg de N, respectivamente para 150; 300 e 450 kg de N/ha/ano.