04-01-2010
As propriedades bem administradas mantêm atualizada a adequada escrituração zootécnica, a qual possibilita a comparação com registros zootécnicos publicados por outros produtores, viabilizando a detecção de problemas e também dos pontos positivos do manejo adotado, permitindo a análise da eficiência do agronegócio (Barbosa & Nascimento Jr, 2001). Contudo, raras são as anotações referentes ao manejo e à utilização das pastagens, o que dificulta proceder à avaliação do desempenho animal em pastagens melhoradas, quando o objetivo é aumentar sua participação na dieta dos rebanhos (Villaça, 1985).
O uso de forrageiras de elevado potencial produtivo tem como benefício elevar a capacidade de suporte das pastagens e, consequentemente, possibilitar o aumento da sua taxa de lotação, contribuindo decisivamente para elevar a produtividade de leite da propriedade (Barbosa & Nascimento Jr., 2001).
Barbosa & Nascimento Jr. (2001) comentam que as pastagens tropicais se destacam pela maior produção por unidade de área, enquanto as pastagens de clima temperado, puras ou consorciadas com leguminosas como alfafa (Medicago sativa), trevo branco (Trifolium repens), caracterizam-se pela alta produção de leite por vaca, graças ao elevado consumo de forragem possibilitado pelo seu mais baixo teor de parede celular, mais alto teor protéico e maior digestibilidade de sua matéria orgânica.
Para escolha da espécie forrageira, devemos também considerar o atendimento das necessidades do animal, com relação à quantidade e qualidade da forragem. Além disso, a espécie implantada deve ser adaptadas às características da região: clima, solo, temperatura, umidade, radiação solar, entre outros (Cecato et al., 2003).
A introdução de leguminosas forrageiras é uma alternativa para promover incrementos na produção animal, por meio do aumento da quantidade e qualidade da forragem, resultante não só da participação da leguminosa na dieta do animal, mas também dos efeitos indiretos relacionados com a fixação biológica de nitrogênio e seu repasse ao ecossistema da pastagem (Pereira, 2009).
Pereira (2009) comenta que a consorciação de leguminosas com gramíneas possibilita maior produção de forragem quando os níveis de N aplicados são baixos e que a presença da leguminosa pode equivaler à adição de 100 kg/ha/ano de N.
O uso racional das pastagens visa aumentar, ou manter, a oferta de pasto para os animais e disponibilizar uma forragem com maior digestibilidade e adequado valor nutritivo. Tal fato contribui significativamente para elevar os índices zootécnicos e econômicos na propriedade.
Paulo Vitor Valentini - Zootecnista
Referências bibliográficas
BARBOSA, A.A.F.; NASCIMENTO JUNIOR, D. Manejo das pastagens e produção de Leite a pasto; 2001. Disponível em: www.tdnet.com.br/domicio/leite.htm. Acesso em: 14/04/2009.
CECATO, U.; JOBIM. C.C.;CANTO, M.W.; REGO, F.C.A. Pastagens para a produção de leite; 2003 Disponível em: www.nupel.uem.br/pos-ppz/pastagens-08-03.pdf Acesso em:14/04/2009.
PEREIRA, J.M. Utilização de leguminosas forrageiras na alimentação de bovinos; 2009. Disponível em: http://www.ceplac.gov.br/radar/Artigos/artigo29.htm. Acesso em: 20/07/2009
VILLAÇA, H. A. Nutrição animal em relação ao manejo das pastagens. Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v. 11, n. 132, p. 32-37, dez 1985.