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Pecuária de Corte precisa se proteger

22-02-2005

Os pecuaristas goianos, juntamente com federações e associações de criadores de gado de corte reuniram-se no dia dezoito de fevereiro em Goiânia, na sede da FAEG e discutiram as condições de comercialização do boi gordo. O Fórum Nacional da Pecuária de Corte da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) apresentou denúncia contra vários frigoríficos exportadores, que vêm definindo, conjuntamente, regras para a compra do boi gordo, gerando prejuízo para os pecuaristas. A denúncia, em outras palavras, é da formação de um cartel nesse setor.

A pecuária de gado de corte é de fundamental importância para a economia goiana, contribuindo sobretudo com a balança comercial do estado. No entanto, a configuração atual da estrutura de mercado tende a diminuir o estímulo pela produção. Segundo o sítio beefpoint, Antenor Nogueira, presidente do Fórum, afirmou que "os frigoríficos estabeleceram condições de comercialização unilateralmente, ao mesmo tempo, sem consultar o setor produtivo”. Os documentos que o Fórum tem em mãos se baseiam em correspondências dos frigoríficos que estabeleceram, na mesma data, tabelas de deságio na compra do boi gordo.

Nogueira disse ainda, no mesmo sítio, que apenas cinco empresas do setor frigorífico exportador possuem oitenta porcento deste mercado. Como elas estão alinhando e reduzindo os seus preços de compra através de acordos entre si, pode-se afirmar que, realmente, está constituído um cartel, ou um truste. Por outro lado, pode-se dizer, também, que o tipo de estrutura de mercado que se apresenta para os pecuaristas de corte atualmente é um oligopsônio, ou seja, onde poucas empresas de grande porte são as únicas compradoras de determinado produto primário. A verdade é que este mercado comprador está muito concentrado e, cartel ou oligopsônio, não interessa a denominação, traduz-se, em um sentido geral, num gargalo para a produção.

Em tempos de globalização os pecuaristas querem se proteger. O Fórum, no dia dezoito, deliberou a implementação de três ações: a retirada da escala de abate para os próximos trinta dias; a criação do “Banco de bois” para uma negociação unificada; e a entrada dos produtores no setor de frigoríficos com a criação de cooperativas. Existe uma expectativa dos pecuaristas de que o governo federal, através de recursos do BNDES, possa viabilizar recursos para construção de frigoríficos. Contudo, excetuando a primeira resolução do Fórum, as outras duas somente trarão resultados positivos a longo prazo. Infelizmente, Goiás não pode esperar para que isto se resolva naturalmente. Além disso, os próprios pecuaristas não poderão resistir a tanto tempo.

No mesmo dia que acontecia o Fórum, talvez para cutucar os pecuaristas que participavam do encontro, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) divulgou dados impressionantes relativos ao desempenho dos frigoríficos exportadores. A carne bovina brasileira, em janeiro de 2005, alcançou US$ 193 milhões em receita cambial sobre as exportações (29,17% sobre o valor apurado em janeiro de 2004). Embarcou-se 161 mil toneladas contra as 123 mil toneladas exportadas no mesmo período do ano passado (crescimento de 30,74%).

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Everaldo LeiteEnvie um email!
Economista - UEG

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  • custo de gado de corte
    eu queria saber o custo,cada cabesa de gado de corte. porque tenho gado de leite mas eu queria mudar o ramo para gado de corte se e possivel, darme essa informaçao eu vou agradeser muito
    daiane ribeiro - 12-07-2009 02:30h

  • comentário
    Sou professor de economia e ministro aulas de economia rural para acadêmicos de medicina veterinária e agronomia. Estamos trabalhando em linhas de pesquisa sobre a pecuária de corte da região de Guarapuava-Paraná e constato que há muito para fazer principalmente na coleta de dados e informações que possam nos auxiliar. O sistema SEAB/DERAL do Estado é muito ineficiente em informações e o Município não elabora um banco de dados sobre as Notas Fiscais do Produtor. Face às adversidades, estamos utilizando este excelente material, além de outros existentes, para que possamos termos um maior conhecimento sobre o assunto. Parabéns.
    Edilson Hugo Ranciaro - 26-09-2006 20:51h

  • Oferta e procura
    Gostei muito do artigo. Gostaria de saber o que esta ocorendo com a comercialuização do gado de corte no RS, em particular na metade sul, onde o pequeno produtor (100 a 300 cabeças) estão se afundando cada vez mais, O QUE FAZER? Outro assunto como melhorar a genética após reduzir a quantdade de matrizes?
    Marcelino Farias - 31-05-2006 05:16h

  • Sugestão de ação para a pecuária de corte
    meu caro Antenor : após um ano as coisas continuam do mesmo jeito e nós pecuaristas cada vez mais desestimulados.Não vejo nada que possamos fazer a curto prazo entretando encaminho minha sugestão para uma ação de m´[edio prazo que ta.vez pudesse somar estabelecendo uma meta de redução do rebanho até que o equilibrio oferta - procura se restabeleça e nos permita conseguir preços mais justos. 1 -programação de redução da quantidade de matrizes em 20 ou 25% reduzindo a oferta futura. 2 -Esta redução se faria com um abate mais intenso de matrizes que certamente num primeiro momento pressionaria ainda mais os preços para baixo 3 -A redução gradativa do rebanho permitiria a muitos a obtenção de capital de giro,ajudaria na redução das despesas de custeio,deixaria de exigir a formação de novas pastagens {atitude simpática do ponto de vista ecológico } quem sabe até com algum apôio da midia verde. 4 -Transformar o destino de novos investimentos deixando de fazê-lo em formação de pastagens e sim em recuperação que aumentaria o suporte das pastagens existentes com um volume bem menor de gastos 5 -Concomitantemente com o apôio das entidades classistas como Sindicatos Rurais,Federações,Associações e orgãos do Govêrno dar um passo decisivo na melhoria gen´petica do rebanho propocionando melhores resultados globais. um abraço do amigo Jan
    Jan C. Goldfeld - 03-02-2006 18:30h

  • Endereço
    Parabéns pelo conteúdo.Gostaria de obter o endereço para o envio do Jornal Santana News onde na coluna Voz da Comunidade, tecemos comentários contra o não repasse pelo governo visando a erradicação da febre aftosa. Cordiais Saudações Comunitárias, Antonio Carlos de Lima-Toninho Carlos Diretor-Presidente da Sociedade Amigos do Jardim do Colégio
    ANTONIO CARLOS DE LIMA - 25-10-2005 16:22h

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