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Pastagem Ecológica e serviços ambientais da pecuária sustentável

02/10/2007

O enfrentamento dos problemas relacionados ao aquecimento global e as ações para atenuar as suas causas e conseqüências serão provavelmente a primeira grande luta a envolver toda a humanidade, independente de raças, credos ou nacionalidades.

O aquecimento global, considerado até pouco tempo assunto exclusivo da comunidade científica (e para muitos, de ficção científica), tornou-se hoje tema de interesse geral, sendo discutido em todas as esferas, com os “vilões” se revezando no interesse dos estudiosos e da mídia. Os efeitos aparecem por toda parte; do derretimento de geleiras em todo o mundo ao furacão “Catarina”, ocorrido no Brasil em março de 2004, que tornou necessário re-escrever os livros de ciência que diziam: “É impossível haver furacões no Atlântico Sul” (Gore, 2006).

Recente relatório da FAO “Livestock’s long shadow” (Longa sombra da pecuária) colocou a produção pecuária mundial como uma grande vilã, colocando-a quanto a produção CO2 (ou equivalente), acima do sistema mundial de transportes, consumidor voraz dos combustíveis fósseis. Este relatório descreve em detalhes o impacto da criação de animais, ruminantes ou não sobre o aquecimento global.

Os valores se apresentaram assim tão elevados, por incluir no total não só todas as espécies animais da porteira para dentro, como também toda a cadeia produtiva da pecuária, incluindo o transporte, grande consumidor de energia fóssil. A realidade, porém é que a pecuária tem mesmo grande responsabilidade pelo aquecimento global, começando pelo desmatamento e queimada de florestas para o estabelecimento de pastagens e chegando à produção de metano pela fermentação ruminal e a fermentação anaeróbica dos dejetos.

O principal estrago ocorre na hora do desmatamento e queimada, já que a queima de cada hectare de floresta, com 250 T de matéria seca, lança ao espaço 500 T de CO2. Com a posterior lavra do solo para a agricultura, ocorre a “queima” da matéria orgânica reduzindo seu teor. Supondo uma redução de 3,50% para 1,5%, são mais 80 t de CO2 lançados no ar.

A fermentação ocorrida no rumem de um bovino de corte em pastejo, produz de 40 a 70 kg/animal/ano de metano (CH4), gás que tem um “efeito estufa” 25 vezes mais potente que o CO2., resultando entre 1 e 1,7 t/animal/ano de CO2 equivalente. No processo metabólico dos ruminantes, perde-se na forma de metano, de 2% (rações concentradas) a 18% (pastagem de má qualidade e baixa proteína bruta) da energia bruta fornecida pelos alimentos. Sendo um valor aceito como médio, em torno de 6% (Primavesi, 2007).

Em sistemas com confinamento intensivo, onde a dieta pode chegar a 90% de alimentos concentrados, a produção de metano poderá ser reduzida para 2% da energia bruta ingerida. Porém, ocorre a transferência do problema para a área agrícola, produtora dos grãos. Estas áreas, quando ocorrem problemas de arejamento (compactação ou encharcamento) e o aporte de nitrogênio, sejam pela adubação mineral, orgânica ou mesmo pela fixação biológica, resultando em presença de nitratos, o óxido nitroso (N2O) que é 250 vezes mais eficiente na retenção de calor (efeito estufa) que o CO2. Outro problema sério das criações intensivas (confinadas) de animais é a grande quantidade de dejetos produzidos, cuja fermentação anaeróbica produz o metano.

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Engenheiro Agrônomo - Consultor

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  • sementes
    cais sementes sao mas recomendadas para este inverno
    rafa - 25/05/10 10:42

  • Parceria
    Oi! Eu sou de Rondonia e Gostaria de emplantar o sistema na propriedade da minha familha nos somos agropecuariasta, no momento o estado de Rondonia esta engatinhado em relaçao as suas ideis. Eu passo por um grande problema que a visao do meu pai, e de outros muitos que nao tem a visao q nos temos! Estou baixando o seu artigo e vou para estudalo melhor. Meu barabens!
    Douglas W. Berton - 23/06/09 16:18

  • quero testar.
    Já lí os seus livros. Confesso que foi uma transformação no meu jeito de pensar. Terminei a dois anos atrás um curso de técnico em pecuária. Ainda não consegui comprar minha rocinha. Mas quando conseguir, te garanto. Vou implantar. Sem desmatar. Até lá. Um abraço.
    antonio nunes - 29/09/08 14:34

  • pastoreio racional
    com esse modo de produçao temos tudo a ganhar pelo fato de ser ecologico nao afetando o meio ambiente e tambem cuida do bem estar animal da vida do solo e do humano.com isso vamos ter mais diversidade no agroecossistema e mais vida.
    wiliam de paula silva - 05/04/08 12:32

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