26-09-2007
O jacaré-paguá, Palesouchus palpebrosus, tem ampla distribuição geográfica no Brasil, porém é uma das espécies de crocodilianos mais desconhecida para a ciência. A falta de informação sobre sua biologia é um dos fatores limitantes para a conservação da espécie. A Embrapa Pantanal vem realizando pesquisas com jacaré-paguá, Paleosuchus palpebrosus, desde a década de 90 nos riachos da região da Serra do Amolar, entorno oeste do Pantanal, e nos rios do entorno do Pantanal. Desde 2001, em parceria com o INPA Ecologia, o jacaré-paguá vem sendo estudado também na região de igapó do rio Solimões na Amazônia central.
O projeto “Monitoramento da área de ocorrência, estado de conservação e ecologia do jacaré-paguá no entorno do Pantanal” conta com apoio financeiro do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e da FUNDECT (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado do Mato Grosso do Sul) e apoio logístico do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), nos Estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Seu objetivo é de avaliar os estoques populacionais do jacaré-paguá e a qualidade dos habitats naturais para sugerir ações para conservação da espécie. Em agosto de 2006, em uma expedição de campo com 2.581 km de percurso com destino às cabeceiras dos cinco principais rios que drenam o Pantanal, constatou-se a presença do jacaré-paguá, tanto jovens como adultos, em local próximo a cachoeira, água corrente e substrato pedregoso. No entanto, esses rios (Vermelho, Taquari, Negro, Aquidauana e Miranda) encontram-se em situação alarmante, devido à retirada das matas ciliares para implantação de pastagens, assoreamento, poluição por indústrias, resíduos de frigoríficos, esgoto urbano, ocupação humana nas margens, atividade intensa de pesca profissional e turismo de pesca, além da caça predatória dos jacarés. As paisagens de florestas, cerrados e veredas próximas aos cursos desses cinco rios e respectivas nascentes sofreram e vêm sofrendo processos acelerados de mudanças e substituição total da vegetação, pela agricultura, principalmente soja, algodão, milho, e cana-de-açúcar. Vale lembrar que as usinas de álcool deixam a céu aberto seus resíduos tóxicos, vinhoto, que possivelmente são “levados” para os rios durante as chuvas.
Os rios estão sofrendo processos de mudanças em seu leito natural, tanto em profundidade como em largura. As formas mais drásticas de alteração têm sido a instalação de usinas hidrelétricas que formam grandes lagos e inundam áreas florestadas e a construção de canais de drenagem e lagos para irrigação de arroz. As pequenas vilas, povoados e cidades crescem ao longo desses rios, resultando em mudanças e destruição desses ambientes. Praticamente, nada tem sido feito para minimizar os impactos nesses ambientes aquáticos, o que é curioso, principalmente porque o abastecimento de água para consumo dos moradores e a atividade de pesca depende diretamente da qualidade da água desses rios.