Agronline
Página inicial dos artigos
Início
 
Agricultura
 
Agroinformática
 
Desenv. Rural
Economia Rural
 
Pecuária
 
O Mexilhão Dourado causará danos ecológicos na Bacia do Miranda

14-04-2004

:. Do mesmo autor
PELD - Programa Ecológico de Longa Duração dos Recursos Hídricos do Pantanal

A importância dos estudos limnológicos: 16 anos no pantanal

Mexilhão Dourado No Pantanal – Um problema ambiental e econômico

Introdução de espécies - uma das maiores causa de perda de biodiversidade

Contaminação de corpos d'água na região de Corumbá

Poluição por pesticidas no Pantanal

O mexilhão dourado tem causado certo pânico entre a comunidade científica e empresários, principalmente do setor elétrico. Também não é por menos, pois o problema está só começando, tendo em vista o tamanho da rede hidrográfica brasileira e a quantidade de reservatórios para geração de energia. O prejuízo, tanto ambiental como econômico, será incalculável se medidas de controle da dispersão não forem tomadas. Este informativo tem o objetivo de deixar a sociedade esclarecida sobre a ocorrência no mexilhão dourado para que a mesma possa ajudar no controle da dispersão.

Quem é o mexilhão dourado?

O mexilhão dourado (Limnoperna fortunei) é um bivalve da família Mytilidae de no máximo 4cm de comprimento. Possui uma forma larval, que é livre e, na fase adulta vive fixo a qualquer substrato duro, formando agregados e cobrindo extensas superfícies.

De onde veio? E como chegou ao Pantanal?

É originário dos rios da China. Foi introduzido nos estuários da foz do rio da Prata na Argentina, em 1991, através da “água de lastro” dos navios que fazem o comércio entre países asiáticos e a Argentina.

O mexilhão dourado chegou ao Pantanal, onde foi observado em 1998, incrustado nos cascos das embarcações que trafegam no sistema Paraguai-Paraná, entre Argentina e Brasil. Foi observado no rio Paraguai até Bela Vista do Norte (MT), acima da confluência com o rio Cuiabá, em baías conectadas ao rio (Tuiuiú, Castelo, Mandioré, Zé Dias e Gaíva) e no Canal do Tamengo, canal de ligação entre a Bolívia e o rio Paraguai.

Como chegou ao rio Miranda?

O mexilhão dourado foi registrado no rio Miranda recentemente, em 2003, e foi observado até a altura do Passo do Lontra. Provavelmente veio do rio Paraguai e chegou ao Miranda, incrustado nos cascos das embarcações, em plantas e equipamentos de pesca (adultos) ou dentro de reservatórios de água (larvas) abastecidos no rio Paraguai.

Outra forma de dispersão é através de barcos transportados em rebocadores via terrestre pela BR 262. Larvas e adultos do mexilhão dourado podem ficar em plantas e água, no motor e dentro do barco, e na vegetação presa ao reboque. Estima-se que o mexilhão dourado pode sobreviver até 7 dias fora do seu ambiente natural.

Segundo dados do Sistema de Controle de Pesca do Mato Grosso do Sul (SCPESCA/MS) a região do Passo do Lontra é um dos lugares mais frequentados pelos pescadores da bacia do alto rio Paraguai. Em torno de 7% dos pescadores visitam mais de um lugar durante as pescarias. E, devido a proximidade entre os rios Paraguai e Miranda e facilidade de acesso pela BR 262, é possível que os pescadores visitem os rio Paraguai e Miranda na mesma viagem. 70% dos pescadores utilizam veículo próprio para suas viagens, e muitos deles podem transportar seus barcos. Tudo isso pode ter contribuído na introdução do mexilhão dourado no rio Miranda e ajudar a dispersar a espécie para outros rios.

O que ele causa?

O efeito das incrustações do mexilhão dourado tem sido observado em estações de captação e tratamento de água (tubulações e bombas), sistema de resfriamento das hidrelétricas e entupimentos em tubulações em geral, aumentando o custo de manutenção na indústria e geradoras de energia elétrica.

O mexilhão dourado entra no sistema de refrigeração dos motores das embarcações impedindo que a água circule, causa aquecimento do motor e, pode levá-lo a fundir, caso já registrado no rio Paraguai. Também foram observadas incrustações no sistema de captação e tratamento de água das cidades de Corumbá e Ladário – MS.

Páginas: anterior 1 2 próxima Topo da página


Márcia Divina de OliveiraEnvie um email!
Pesquisadores - EMBRAPA/CPAP

  Enviar este artigo por e-mail  Imprimir este artigo  Como citar esse artigo 
:. COMENTÁRIOS
    Clique aqui!  E deixe seu comentário sobre o artigo!

  • sobre mexilhao dorado
    Quero fazer um trabalho de iniciaçao cientifico gostaria de mais informaçoes
    Vanturilio Data - 28-11-2010 20:26h

  • bivalvia
    O artigo ficou muito bom, com um amplo nivel de abrangencia,e esplicol clarament so o mesmo.
    jorcelino - 25-08-2007 09:38h

  • Comentário
    Muito interessante seu artigo sobre o mexilhão dourado. Acho muito importante esses programas de prevenção de dispersão de espécies, pois essa mesmas podem alterar drasticamente o meio natural da região. Se tiver alguma informação mais recente sobre o assunto, peço que me envie, pois sou bióloga e me interesso pelo assunto. Sucesso no seu trabalho.
    Edínia Stefani - 19-09-2006 17:12h

  • mexilhão dourado e virus/bactérias
    O artido sobre a invasão ilustra que o mesmo pode trazer virus ou bactérias. A preocupação não está, ainda, voltada para este campo, mas é importante que ocorra tamanha é a quantidade que é observada em filtros que necessitam ser limpos,e, muitas vezes ocorre a "catação" dos citados agentes biológicos. Mas gostaria de uma referencia sobre tais agentes ou outros que por ventura estão transmitindo doenças. Agradecendo a atenção dispensada,despedimo-nos. gil.machareth@cesp.com.br
    Gil Geraldo Machareth - 11-03-2005 10:05h

  • Mexilhão
    Muito interessante o artigo, bastante atual e informativo, além de educativo. Porém, gostaria deixar uma crítica, a respeito do assunto; muito se fala e se discute sobre as vias de dispersão das larvas e do mexilhão adulto. No entanto é necessário medir os esforços, custos e tempo "disperdiçados" pela FTN (Força Tarefa Nacional)na questão da educação ambiental, uma vez que as maiores dispersões são por vias zoocóricas.
    Paulo Silva Neves - 13-09-2004 15:03h

  • mexilhão dourado
    gostei muito do artigo, que trabalho em uma usina hidrueletrica e ja temos o programa de prevenção do mesmo.
    genivaldo martins da silva - 19-08-2004 22:44h

  • :. ARTIGOS RELACIONADOS

    Artigos por assunto

    Administração Agribusiness Agricultura de Precisão Agricultura Familiar Agricultura Urbana Agroecologia e orgânicos Agroindústria Agronegócio Agropecuária Familiar Agropesquisa Alimentação Apicultura Avicultura Boi verde e Pecuária orgânica Bovinocultura Caprinocultura Ciência florestal Climatologia Comércio internacional Comunicação Contaminação de águas Cooperativismo Crédito agrícola Crédito Rural Crise Energética Desenvolvimento Rural Desenvolvimento Sustentável Ecologia Educação Exportação Extensão Fauna Silvestre Fertilidade do Solo Fertilidade e conservação do solo Fitopatologia Fitotecnia Forrageiras Fruticultura Genética Horticultura Internet na agricultura Irrigação e Drenagem Marketing Meio ambiente Nutrição animal Ovinocultura Paisagismo Pecuária Leiteira Piscicultura Plantas Daninhas Plantas Medicinais Plantio direto Pragas e doenças Rastreabilidade Animal Sanidade animal Segurança Alimentar Seguro agrícola Sementes Suinocultura Tecnologia Transgênicos Zoonoses
    Copyright © 2000 - 2014 Agronline.com.br