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Estresse psicológico em bovinos leiteiros

01-02-2007

:. Do mesmo autor
Bioclimatologia e o Bem-Estar em Bovinos Leiteiros

Ao contrário do que muitos imaginam, os bovinos estão, sim, sujeitos ao estresse psicológico. Este tipo de estresse – psicológico - está relacionado basicamente ao medo, seja de outros animais de seu próprio grupo, seja do homem (tratador) ou medo de qualquer situação nova que o animal possa perceber. É importante que o produtor considere que qualquer situação estressante para o animal pode alterar o bem-estar e consequentemente, reduzir a produtividade final de seu sistema.

Em criação de bovinos leiteiros, onde os animais são criados em espaços restritos, as interações entre animais e entre estes e o homem são exacerbadas, e, portanto, diversas situações estressantes podem ser vividas em um único dia.

Em relação às interações estressantes entre os próprios bovinos podemos citar a competição por alimento e manutenção do território, como o cocho, o bebedouro ou o local para descansar. Antes de aprofundarmos nossas considerações sobre as interações entre bovinos, devemos considerar que estes são animais gregários e que, portanto, possuem uma rígida hierarquia social baseada na força e agilidade de cada membro dentro de um grupo durante a luta.

Assim, ao introduzirmos animais novos em um lote, este animal deverá “interagir” com cada um dos outros até “encontrar” seu local na escala social daquele grupo. Este fato adquire grande importância em bovinocultura de leite quando remanejamos fêmeas entre lotes de acordo com a sua produção em kg de leite e sua necessidade de consumo de concentrado. Assim, a fêmea remanejada deverá se confrontar com cada uma das outras vacas do lote até que encontre sua posição na hierarquia social do grupo que passou a pertencer. Como conseqüência, deslocará energia da produção de leite para o embate e assim, sua produção diminuirá (assim como a daquelas com quem se confrontou e que lutaram para manter sua posição) o que acarretará, em última instância, a redução da produtividade do sistema em até 10%.

A partir do momento em que a hierarquia social é estabelecida, no entanto, os embates diminuem e, conseqüentemente o estresse também. Cada animal, já sabendo sua “posição” dentro do grupo, vai agir tal qual sua posição permite: as vacas mais fortes, em geral aquelas com chifres e mais pesadas e maiores, as ditas dominantes, têm prioridade quanto à alimentação, consumo de água e local de descanso. Isso significa que comem primeiro, bebem primeiro e têm oportunidade de escolher onde querem descansar, em detrimento das vacas “submissas”, as mais fracas e menores.

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Danielle AzevêdoEnvie um email!
Pesquisadora - EMBRAPA/CPAMN

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