03-04-2006
Desde 1989, o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), através do Projeto PRODES (Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira), calcula anualmente a taxa de desmatamento da Amazônia Legal Brasileira utilizando imagens de satélite. O objetivo principal do PRODES é estimar a taxa anual e a extensão do desmatamento bruto da Amazônia – por Estado e por imagem.
As estimativas do INPE adquiriram o caráter de estatísticas oficiais sobre os desmatamentos da Amazônia brasileira em nível nacional e estadual. O INPE considera desmatamento “a conversão de áreas de floresta primária por atividades antropogênicas para o desenvolvimento de atividades agropecuárias detectadas por plataformas orbitais”.
As imagens utilizadas são do satélite LANDSAT e possuem limitações em função da presença de nuvens, muito comuns no ambiente amazônico, que impossibilita a interpretação dos dados sob onde se encontram. Dessa forma, parte das imagens pode não ser analisada. Em função desta e de outras peculiaridades, como o tempo restrito para processamento das imagens e a divulgação da taxa, o INPE vem adotando uma metodologia para o cálculo que, dentre outros procedimentos, baseia a seleção de imagens de forma a cobrir o máximo possível de áreas desmatadas no ano anterior. A partir dos incrementos do desflorestamento identificados em cada imagem, as taxas anuais são então estimadas.
Para o Estado de Roraima, de acordo com os últimos dados divulgados, pode-se inferir que as áreas desmatadas equivalem a menos de 5% do total da área florestal do Estado, representando pouco mais de 1% de toda área desmatada na Amazônia.
No levantamento das imagens utilizadas pelo Projeto PRODES para o Estado de Roraima para o cômputo das taxas de desmatamento nos últimos anos, observa-se que somente a partir de 2002, obteve-se a análise de todas as imagens que compõem o Estado de Roraima (19 imagens). Assim mesmo, nesse ano (2002), com percentual considerável de cobertura de nuvens nas áreas florestais, comprometendo o cálculo das áreas realmente observadas. Para o ano de 2003, uma menor cobertura de nuvens, associada à análise de todas as imagens do Estado, representa a possibilidade de cálculo mais preciso da situação do desmatamento no Estado, inclusive com a possibilidade de observação de áreas nunca antes observadas. Para a estimativa da taxa de desmatamento no período de 2003/2004, foi utilizada no Estado de Roraima a imagem 231/59 (órbita/ponto), referente ao sul do Estado (município do Caroebe).
A análise dos dados de desmatamento por município em Roraima, outro produto fornecido pelo PRODES, demonstra que os municípios de Mucajaí e Cantá são os que apresentam maior extensão de áreas desmatadas, seguidos por Rorainópolis, Caracaraí e Caroebe. Para o período de 2000 a 2004, os municípios do sul do Estado (Caroebe, Rorainópolis, São Luiz e São João da Baliza) foram os que mais desmataram.
O conjunto de dados fornecido pelo Projeto PRODES, inclusive de forma digital com banco de dados georreferenciados, é de grande importância para o acompanhamento dos governos estaduais, do próprio Governo federal e da sociedade como um todo sobre a localização e a extensão dos eventos de desmatamento na Amazônia Legal.
A interpretação e análise dos dados requerem um certo grau de conhecimento a respeito da metodologia utilizada no mapeamento. O reconhecimento da importância dos dados gerados poderia representar uma maior utilização dos mesmos no âmbito dos Estados da Amazônia.