07-12-2005
Um assunto cada vez mais freqüente nos noticiários são as transformações climáticas observas no mundo nos últimos anos. E a velocidade e a forma implacável e destruidora com que essas mudanças estão acontecendo estão deixando o mundo em alerta. O exercício da agricultura e da pecuária tem sua parcela de participação nesses fenômenos de transformação da paisagem e do clima. A remoção da vegetação natural para uso em atividades agrícolas e na pecuária rompe o equilíbrio natural do meio ambiente (água-solo-planta) e originando o fenômeno denominado de erosão, que consiste na remoção de nutrientes, microrganismos e constituintes físicos do solo. O processo erosivo inicia-se com a utilização inadequada e, ou pelo uso excessivo do solo. A princípio, a erosão atinge apenas superficialmente o solo e permanece imperceptível durante os primeiros estágios. Porém, com o tempo esse desgaste do solo é responsável por uma drástica redução nos índices produtivos e por grandes prejuízos aos agricultores e pecuaristas.
Na região Amazônica, devido a grande disponibilidade de área, verifica-se que após a exaustão dos recursos naturais do solo e a perda da produtividade há o abandono da área empobrecida para a busca de outras inexploradas. Este tipo de sistema de produção extrativista e itinerante leva ao aumento não só de áreas abandonadas consideradas degradadas ou inapropriadas para uso na agricultura ou pecuária, mas também ao aumento do desmatamento. Considerando-se os dados mais recentes sobre desmatamentos para a formação de pastagens na Amazônia Legal, estima-se que a derrubada anual atinge quase um milhão de hectares para a manutenção do rebanho atualmente explorado. No caso específico do estado de Rondônia, estima-se que cerca de cinco milhões de hectares de floresta estão ocupados atualmente com pastagens cultivadas. Desta área, pelo menos 40% apresentam-se em diferentes estágios de degradação, o que leva a necessidade da derrubada de novas áreas de florestas para a manutenção dos rebanhos.
O processo de degradação se manifesta pela queda gradual e constante de produtividade dos capins nas pastagens devido a vários fatores como a baixa adaptabilidade da espécie forrageira, a baixa fertilidade dos solos e ao manejo inadequado das pastagens, o que acarreta no aparecimento de plantas invasoras. Isto leva à necessidade de se adotar medidas de limpeza através do uso do fogo que apesar de prático e barato é altamente danoso ao solo e ao equilíbrio do ambiente. Além do controle de plantas invasoras, a utilização do fogo em pastagens cultivadas tem como objetivo eliminar restos de material seco e com grande proporção de talos que não foram consumidos pelos animais durante o período seco e, ao mesmo tempo, proporcionar a rebrota da forragem com melhor qualidade.
Os principais danos causados pelas queimadas e pelos desmatamentos estão relacionados com a destruição da vegetação nativa, a morte de animais, a extinção local de espécies, a perda de matéria orgânica no solo e a sua exposição à erosão. Além disso, contribuem também para o aumento do efeito estufa devido à liberação de grandes quantidades de gás carbônico para a atmosfera.
Uma tecnologia simples e interessante para evitar o uso do fogo é a diversificação de espécies forrageiras ou a utilização de pastagens consorciadas, que consiste no estabelecimento de gramíneas e leguminosas numa mesma área. As leguminosas forrageiras apresentam alto conteúdo protéico, maior digestibilidade e maior tolerância à seca em relação às gramíneas. O elevado teor protéico das leguminosas deve-se ao fato das raízes dessas plantas se manterem em associação simbiótica (relação em que ambos são beneficiados) com bactérias do gênero Rhizobium, que tem a capacidade de captar nitrogênio da atmosfera e adicioná-lo à planta e ao solo. Isto melhora a fertilidade do mesmo, aumenta a produção de forragem e, como conseqüência, torna a dieta do gado mais diversificada e rica em proteínas.