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15-05-2002

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No dia 06 de maio foi divulgado que Bush estava “satisfeito” com a Farm Bill. Um funcionário do governo americano diz que os Estados Unidos estão “desapontados”, pois consideram que o Brasil está tomando o caminho da confrontação (ao apresentar queixas a OMC sobre os malefícios desta lei que aumentará os enormes subsídios à agricultura dos EUA, prejudicando nossas exportações).

Que é isto, cara pálida! Uns malucos derrubam prédios em NY, matando cerca de 4.000 pessoas (ato desprezível, é fato) e os americanos alteram todo o equilíbrio sócio econômico do mundo, comprometendo a vida de milhões de “gente”. Saem atirando para todo o lado, atropelando, impondo condições, usando e abusando da força. É bom lembrar que, tal como em David e Golias, a liderança a paulada pode ser acabada com cupim. Crescerá uma antipatia pelo povo americano (infelizmente) que poderá levar à derrocada da nação. A História tem mostrado. E aqui merece ser aberto um parêntesis. O povo americano não é, no sentido mais profundo do “ser”, o que tem sido transmitido para o mundo. Duvido, que concordem com as posições assumidas por seus representantes. São pessoas ingênuas, porque honestas, ou ingênuos-honestos, que construíram, com muito sacrifício, a sociedade mais rica do planeta. Fantásticos e grandes espertalhões, apoderaram-se das comunicações, das finanças, dos pontos chaves do governo, da opinião, da “inteligentszia” e controlam, covarde e antidemocraticamente, os destinos deste povo. Isto mostra a incongruência com o país que se declara o exemplo moderno da democracia. Este será o problema existencial da sociedade americana, quando se encontrar. Nós, quando estivermos defendendo nossos interesses nos fóruns internacionais, teremos estes vilões, travestidos de “americanos” como adversários. Competentes e maléficos vilões.

Quantos milhares de brasileiros perderão empregos por não conseguirem concorrer com os subsídios, com o Tesouro americano? Produzimos com competência e sacrifício usando insumos e equipamentos que são, em grande parte, importados. Outra grande parte é fabricada aqui, por multinacionais, mas com favores do nosso Governo. Ganham de qualquer forma. E ainda querem mais.

Realmente estamos errados. Temos que repensar nossas relações internacionais, nossas parcerias. Reconhecermos nosso poder. Somos poderosos. Temos um dos maiores mercados do mundo. O sonho de toda empresa. Mas será necessário um fechamento à “la Cuba” para viver com decência? Alguns poucos países, não mais que cinco, podem existir, razoavelmente, sem depender de outros. Nós temos este privilégio. Em situação de desespero é uma opção. Troglodita, mas opção.

Como “ficar desapontado”, como diz o governo americano, com nossa posição? Para sanar nossas mazelas, diminuir a fome que degrada e mata, envergonha e frustra, curar malária, dengue e Chagas, poder produzir enfim, precisamos concorrer com decência. Como exportar, se contaminam o mercado com a praga subsídio? Estamos, por burrice ou honestidade, com nossas fronteiras escancaradas, para empresas e produtos que vêm, vendem, lucram e, pasmem, pagam às “agências de risco” para elaborar relatórios, pareceres, sobre o risco de investirem aqui. Atentem para o detalhe: ao desestabilizarem o país realizam melhores negócios nas suas aquisições. Se não fosse bárbaro, cruel e desumano, poderia ser até roteiro para cinema. Concorrer com as infindáveis fitas mostrando os horrores dos campos de concentração.

Pelo amor de Deus! Estamos no século XXI...

Marcos Garcia JansenEnvie um email!
Diretor de Política Agrícola - SEAPA

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  • Farm Bills
    Parabéns ao Sr. Marcos Garcia Jansen. Demonstra lucidez e uma opinião que distoa corajosamente do que a mídia obriga todos a pensar. PAULO MOURA
    Paulo C C Moura - 21-02-2004 17:27h

  • elogios
    linguageem direta,facil de entender e acho o autor destes artigos muito inteligente e de certa forma ele é um crítico de primeira.
    arnaldovilela - 22-01-2004 16:39h

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