02-08-2007
O Estado do Tocantins possui cerca de 90 % do seu território dominado pelos Cerrados. Nesse bioma, predominam solos com baixa fertilidade e acidez elevada com presença de elementos, como o alumínio (Al), em forma tóxica pra o crescimento de raízes. A acidez está presente, também, nas camadas do subsolo que, aliada aos baixos teores de cálcio (Ca), limitam o crescimento das raízes em profundidade, diminuindo a absorção de água e nutrientes e aumentando os riscos dos veranicos para os sistemas de produção agrícola.
As principais classes de solos da região são de solos Concrecionários (23 %), Latossolos (22 %) e Neossolos Quartzarênicos (19 %). Como uma das características dessas classes, pode-se citar a predominância de texturas média e arenosa, o que determina uma baixa retenção de água, favorecida também pelo baixo teor de matéria orgânica dos solos. Dessa forma, as práticas da gessagem, calagem e adubação são fundamentais para permitir sistemas agropecuários mais produtivos e sustentáveis no Estado.
A calagem em níveis adequados fornece Ca e magnésio (Mg) às plantas, aumenta o pH do solo, diminui os níveis tóxicos das formas de Al e aumenta a disponibilidade de fósforo (P). Em solos com concentração muito baixa de Al e baixa concentração de Ca, o suprimento desse nutriente é o principal fator responsável pelo crescimento do sistema radicular. Com esses benefícios ter-se-á, em última análise, o aumento de produtividade das culturas.
Uma boa recomendação de corretivos e fertilizantes se inicia com uma boa amostragem de solo, que implica em dividir a área em talhões homogêneos de acordo com o relevo, textura do solo, histórico de uso, etc. Deve-se coletar cerca de 20 pontos (amostras simples) na profundidade recomendada para se formar uma amostra composta. Para culturas anuais a profundidade mais utilizada é de 0-20 cm e, adicionalmente de 20-40 e 40-60 cm, para culturas perenes. As amostras simples devem ser homogeneizadas em lona plástica ou balde, retirando-se cerca de 200 a 300 g de solo, acondicionando em saco plástico devidamente identificado (nome do produtor, da fazenda, profundidade amostrada, cultura de interesse, etc.) para envio ao laboratório de análise de solo.
As doses recomendadas de calcário são calculadas com base na demanda de Ca e Mg pela planta, na tolerância de cada espécie ao Al e no teor de argila do solo. Os métodos de cálculo mais utilizados são o da neutralização do Al e elevação dos teores de Ca e Mg no solo e o da saturação por bases. Como culturas mais exigentes em Ca e Mg podem ser citadas o café, cana, melancia, melão, mamão e menos exigentes a mandioca, pastagens e eucalipto. A calagem em doses abaixo das recomendáveis não permite alcançar os objetivos propostos da técnica e, em doses acima, pode promover alcalinização do solo, com diminuição da disponibilidade de micronutrientes.
O valor de 2,0 cmolc dm-3 de Ca + Mg disponíveis no solo atende à demanda de grande parte das culturas, com Al reduzido a zero. A saturação por bases de 50 % satisfaz a maioria das culturas de sequeiro cultivadas no Cerrado. Em sistemas irrigados, recomenda-se aplicar calcário para elevar a saturação por bases a 60 % e em pastagens estabelecidas com espécies tolerantes à acidez recomenda-se saturação por bases de 30 %.