02-08-2007
O Manejo de pragas agrícolas tem sido realizado principalmente através de agentes químicos, porém esses agentes muitas vezes (nem sempre) prejudicam a saúde humana e ocasionam efeitos maléficos em inimigos naturais e polinizadores.
Os fungos entomopatogênicos são microrganismos que causam doenças em insetos, principalmente em insetos de importância agrícola. São os principais responsáveis pela mortalidade natural de insetos-praga em agroecossistemas, atuando dessa maneira no controle biológico de pragas.
No Brasil ocorre um grande número de espécies de fungos entomopatogênicos, causando epizootias que mantém as pragas sob controle. O termo epizootia refere-se a ocorrência generalizada dos microrganismos atacando severamente as pragas e promovendo o seu controle.
Esses fungos entomopatogênicos, além de constituírem 80% das enfermidades responsáveis pelos surtos epizoóticos dos ecossistemas e agroecossistemas, são de mais fácil disseminação, pois algumas espécies possuem a capacidade de penetrar através da cutícula íntegra de artrópodes e atingir diretamente a hemocele, até mesmo no caso de cochonilhas providas de carapaça. Em se tratando de fungos imperfeitos como os Hifomicetos, os propágulos viáveis (conídios ou fragmentos de hifas), a colonização do inseto e a exteriorização do fungo sobre o cadáver infectado permitem a sua rápida disseminação pelo vento.
Existem alguns fungos importantes no controle biológico de pragas em nível de campo. Entre eles, as espécies Metharizium anisopliae, Beauveria bassiana e Nomuraea rileyi são as mais freqüentes em agroecossistemas.
O Metharizium anisopliae (Metsch) é um importante fungo cuja ocorrência já foi assinalada em mais de 300 espécies de insetos. No Brasil, esse fungo tem sido estudado sobre diversas pragas como Mahanarva posticata (cigarrinha da cana), Diatraea saccharalis (broca-da-cana), Nezara viridula (percevejo-verde da soja), Piezodorus guildini (percevejo-verde-pequeno da soja), Hypothenemus hampei (broca-do-café), apresentando um grande potencial no controle biológico. O principal exemplo de sucesso na utilização de Metharizium é no controle biológico de cigarrinhas, principalmente na cana-de-açúcar e pastagens. Existem inclusive várias marcas comerciais desse agente registradas no Ministério da Agricultura.