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Água na Alimentação Animal

07-12-2005

A água destinada aos animais, na maioria das propriedades rurais, não apresenta muitos cuidados no que diz respeito a obtenção e manutenção, comprometendo sua qualidade. Isto pode ser a causa de várias enfermidades que acometem os animais com quadro clínico leve ou em certas ocasiões, graves levando a prejuízos e/ou perda total.

A revista A Lavoura ANO 107, nº 649, junho/2004, traz um artigo interessante de pesquisadores em Nutrição Animal, a respeito da Água na Nutrição Animal, onde mencionam que é o constituinte mais abundante no organismo animal, com teor aproximado de 70%– 85% nas aves, 65% – 70% no corpo de um mamífero e até 95% nos invertebrados marinhos. Os especialistas consideram a existência de três tipos de água no organismo, ou seja, a água de bebida, ingerida pelo animal; água coloidal ou de constituição dos alimentos, onde aves e suinos ingerem pouca quantidade, devido ao elevado teor de matéria seca contida em suas dietas, o que não ocorre com os ruminantes, que ingerem grande quantidade de água contida nas forrageiras; e a água metabólica resultante da oxidação dos nutrientes nos tecidos.

De acordo com a espécie e o tipo de exploração, os animais têm as suas necessidasdes diárias de água: por exemplo o bovino de corte, consome de 26 a 66 litros/dia; vacas leiteiras 38 a 110 litros; vacas em lactação até 140 litros; cavalos 30 a 45 litros, égua em lactação até 57 litros; e caprinos e ovinos 3,5 a 15 litros/dia. Por isso deve-se ter grande cuidado com vacas em lactação, pois quanto maior a produção maior será o consumo de água, não esquecendo-se ainda das fêmeas em gestação.

Assim como existe o consumo, esta água ingerida será eliminada através dos rins, na urina, do trato gastrintestinal nas fezes, e através do ar expirado pelos pulmões ou suor evaporado pela pele. O rim é o principal regulador da perda de água do organismo.

Um dos fatores preocupantes e que deve-se levar em consideração é quanto a qualidade da água oferecida aos animais em muitas propriedades do Estado, onde deve-se atentar para certas características que afetam a qualidade tornando-a imprópria para o consumo que são; a presença de minerais traços tóxicos como Fluor, Selênio, Ferro e Molibdênio, podendo causar disturbios sérios, principalmente em suínos e aves; a presença de Nitrogênio na água indica decomposição de matéria orgânica, contaminação fecal ou nitratos. Os animais têm baixa tolerância a nitratos solúveis; a coloração deve ser incolor, inodora e insípida para ser considerada de bebida; o pH ideal é que esteja próximo da faixa de neutralidade ( pH 7,0 ), valores acima de 7,6 indicam alcalinidade, podendo apresentar níveis elevados de Cálcio e Magnésio: a Dureza diz respeito a presença de níveis elevados de sais de Cálcio e Magnésio, tornando a água imprópria para consumo; a presença de Bactérias na água indica matéria orgânica e/ou contaminação fecal (coliformes) havendo a necessidade de tratamento (cloração); a presença de Parasitos na água por contaminação dos próprios animais também tornam a água imprópria para consumo.

Pode-se verificar que águas paradas, localizadas nas pastagens, nos lugares mais baixos, muitas vezes aprofundadas através de tratores para aumentar o volume e para acúmulo de água das chuvas, sem renovação, principalmente no período seco do ano, onde os animais entram, defecam e urinam, são aguadas impróprias para o consumo podendo provocar contaminação por diferentes doenças como brucelose, tuberculose, febre aftosa e outros agentes, comprometendo sobremaneira a saúde dos animais. As aguadas que contém muita areia fina que são removidas quando os animais adentram para beber, faz com que haja a ingestão deste componente, juntamente com a água com prejuízos sérios. A água corrente, também pode conter contaminação, principalmente se originária de outras localidades e não houver cuidados da vizinhança com o destino de animais doentes ou carcaças sem o devido destino pois serão levadas aos igarapés pelas chuvas ou então levadas pelos cães, animais silvestres e urubus ao alimentarem-se de tais carniças. Por isso para administrar água limpa aos animais, deve-se procurar métodos seguros, como bebedouros que podem ser lavados, desinfetados com freqüência, para que os animais sempre recebam água limpa tratada, para que tenham saúde e possam expressar o seu desempenho produtivo dentro de cada atividade pecuária.

Francelino Goulart da Silva NettoEnvie um email!
Pesquisador - EMBRAPA/CPAFRO

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    Michelli Rocha - 17-04-2008 20:20h

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