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Acentuando o quadro de dificuldades que atinge com freqüência a pecuária de leite no período de safra, a crise da Parmalat provocou as maiores baixas no preço do produto, sobretudo em dezembro/2003 e janeiro/2004. Na Região Nordeste, a Parmalat centralizava suas atividades no município de Garanhuns. Por aquela unidade fabril, eram captados 300 mil litros/dia entre produtores de Pernambuco, Alagoas e Sergipe.
Os efeitos da crise mundial da Parmalat foram sentidos em todo o País, porém superado seu período mais, o preço pago aos produtores vem se recuperando desde março de 2004, alavancado pelo reaquecimento da economia e, principalmente, pela redução do déficit da balança comercial de lácteos. Em que pese tal recuperação ser um aspecto bastante positivo para o setor, observa-se que a recomposição no preço pago ao produtor está ocorrendo em ritmo lento e em proporção inferior ao aumento dos custos de produção.
Dessa observação, infere-se, portanto, que os entraves do setor transcendem a crise da Parmalat.Os bons resultados alcançados na balança comercial de lácteos combinados com a melhoria do preço após os problemas enfrentados por essa grande indústria italiana atestam que a atividade leiteira é competitiva, tem capacidade para atender à demanda interna podendo até gerar excedentes para exportação.
Um ponto de extrema importância no processo de inserção do Brasil no mercado internacional de lácteos diz respeito à qualidade da matéria-prima. Essa questão envolve uma mudança radical nas normas de plataforma (contagem bactreriana, células somáticas, teor de acidez etc.) e implantação de normas de origem (animais controlados, refrigeração do produto na propriedade, ordenha mecânica, coleta a granel).
O Programa de Melhoria da Qualidade do Leite (MAPA – Instrução Normativa nº 51, de setembro/2002), impulsionará essas exigências, determinando rigorosos critérios para a produção, identidade e qualidade do leite. Por sua vez, a nova legislação levou o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento a criar uma rede de laboratórios que serão responsáveis pelo trabalho de monitoramento em Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Paraná. O Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) estabeleceu um prazo de seis meses para adequação dos novos parâmetros de qualidade do leite definidos na I.N. nº 51, em vigor desde o início de julho deste ano nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Nas regiões Norte e Nordeste, a IN 51 passará a vigorar a partir de julho de 2007.