31-08-2005
O fenômeno da globalização dos mercados tem provocado grandes transformações na condução da economia na maioria dos países. As mudanças impostas à pecuária leiteira no Brasil, sobretudo no início da década de 1990, com a abertura do mercado, contribuíram para que o setor adquirisse um novo perfil. De 1995 até o início de 1999, o produtor de leite enfrentou o problema do câmbio valorizado, ou seja, a moeda brasileira praticamente esteve equiparada em relação ao dólar. Nesse período o Brasil se tornou o maior importador mundial de lácteos.
O impacto das alterações observadas nas relações de mercado de países com blocos, de países com países, e de blocos com blocos tem como origem, via de regra, os ditames protecionistas das políticas comerciais dos países ricos e a nova postura do consumidor, esta sobretudo por dois paradigmas: segurança alimentar e preservação ambiental. Em função disso, a base do processo de estruturação da atividade leiteira, que antes era o produtor, passou a ser o consumidor. Dessa forma, toda a cadeia produtiva foi submetida a um complexo processo de reorganização, voltando o foco de suas estratégias competitivas claramente para o mercado consumidor.
Com base nessas macrotendências e, tendo como parâmetro o comportamento passado e presente do agronegócio do leite no Brasil e, no seu contexto, o de Pernambuco, particularmente aquele conduzido no Agreste, abre-se um novo cenário.
Cerca de 74% do leite produzido em Pernambuco fica na região Agreste, o equivalente a 1,1 milhão de litros/dia. Este volume se concentra, basicamente, nos municípios de Águas Belas, Bom Conselho, Canhotinho, Correntes, Garanhuns, Gravatá, Limoeiro, Pesqueira, Sanharó, São Bento do Una, São Caetano e Venturosa. Esta mesorregião também apresentou o maior índice de produtividade animal no Estado (1.237 litros/vaca/ano), conforme dados levantados pela Embrapa Gado de Leite (Juiz de Fora-MG), em 2002.
Até o início da década de 1990, o município de Gravatá teve uma das mais importantes bacias leiteiras do Estado, mas perdeu parte da liderança com a privatização da Companhia de Industrialização de Leite de Pernambuco – CILPE.
Segundo levantamento da Câmara Setorial do Leite do Estado de Pernambuco, realizado em 2000, a pecuária leiteira no Agreste do Estado é praticada em maior expressão por produtores que não vão além de 300 litros/dia, com elevada dispersão espacial, situados em unidades geoambientais com características, grau de capacitação da mão-de-obra, culturas empresariais, genética dos rebanhos e mercado consumidor diferentes. Tal diferenciação dificulta ou mesmo impede a formulação de ações, projetos e políticas uniformes, induzindo a adoção de intervenções pontuais.