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Assim, nossos resultados sugerem uma combinação de ambas as fontes primárias, algas e bactérias, sustentando a cadeia alimentar aquática do Pantanal do rio Paraguai. Isto se dá por meio de dois processos de produção primária de matéria orgânica (MO): pela fotossíntese das algas (energia solar + gás carbônico) e pela quimiossíntese das bactérias metanotróficas (energia química + metano), que transferem energia (carbono) para os consumidores, o chamado fluxo de energia. Por meio desta produção primária de matéria orgânica e de outro processo, a decomposição da matéria orgânica, que produz gases como o gás carbônico e o metano, fecha-se o ciclo de carbono no sistema. As algas são uma fonte de energia importante, porém o sistema de planície do rio Paraguai mostra como característica especial a existência de um elo de ligação alternativo do metano como fonte de carbono (via bactérias metanotróficas), diretamente para os níveis superiores da cadeia alimentar (zooplâncton, insetos aquáticos e peixes detritívoros).
Com base nos resultados obtidos, pode-se inferir que quaisquer mudanças no funcionamento hidrodinâmico do Pantanal do rio Paraguai, alterando-se o ciclo de cheias e secas (tempo de duração das cheias e extensão da área inundada), por meio de implantação de barragens e hidroelétricas, corte de curvas (meandros), dragagens em áreas extensas e entupimento do leito devido ao desmatamento e a conseqüente erosão, causariam, por conseguinte, alterações no funcionamento dos processos de produção e decomposição de matéria orgânica. Portanto, causariam alterações no fluxo de energia do sistema, o qual sustenta a cadeia alimentar aquática e a produção pesqueira, uma das riquezas ímpares do Pantanal e base de atividades econômicas importantes para a região, como a pesca profissional e o turismo de pesca.