16-04-2004
A sobrevivência das fazendas no Pantanal e entorno está muito relacionada com a sua localização geográfica, volume de negócios, produtividade, competitividade e potencial de diversificação da produção em bases ecossustentáveis.
No passado recente, a grande extensão das unidades de produção, apesar da baixa produtividade, garantia a manutenção de um bom nível de renda aos proprietários rurais e a sobrevivência de famílias numerosas de empregados. É claro que, atualmente, a unidade de produção para ser competitiva deve, além de área suficiente e eficiência compatíveis com os produtos ofertados, deve ser capaz de gerar produtos de boa qualidade e de baixo custo. Para que isso se torne realidade, a unidade produção deve contemplar, preferencialmente, abundância e diversidade de recursos naturais, principalmente de fitofisionomias.
Além da pecuária de corte, é preciso viabilizar alternativas econômicas para melhorar o fluxo de caixa e, se possível, atender as despesas correntes de custeio. Não estou me referindo à pecuária tradicional até então praticada na região, pois tudo indica que ela esteja com os dias contados. Além disso, a sobrevivência da atividade pecuária, mesmo a inovadora, com a oferta de produtos de qualidade, como por exemplo a produção do vitelo pantaneiro, está muito relacionada, a médio e longo prazos, com a sustentabilidade de seus recursos naturais, principalmente pastagens nativas de elevado valor nutritivo para atender às demandas dos bezerros em fase ativa de crescimento e que demandam dieta com teor mais elevado de proteína. Para que essas duas premissas se concretizem, torna-se necessário modernizar os conceitos e adotar modelos de gestão que sejam mais eficientes que os atualmente em uso pelos pecuaristas. Além disso, os sistemas de produção devem incorporar tecnologias que sejam de baixo impacto ambiental. E será isso possível? Com isso não estou dizendo que os atuais pecuaristas Pantaneiros são agressivos ao ambiente. Tudo indica que a adoção de tecnologias de produção compatíveis com a realidade regional deve constituir a base do agronegócio no Pantanal.
Técnicas de administração e gerência geral, se aliadas às práticas simples de manejo nutricional, reprodutivo e sanitário, sem dúvida alguma, incrementarão os índices de produtividade do sistema sem grandes investimentos e sem onerar de maneira significativa o custo de produção. Entretanto, a implementação desse modelo depende da sensibilidade, vontade, criatividade e capacidade do pecuarista para eleger e ajustar as tecnologias que irão compor os novos agrosistemas. É preciso que elas sejam ecossustentáveis, esteja validada e disponível. Nessa etapa a Embrapa Pantanal poderá contribuir muito. É claro que a sustentabilidade dos novos sistemas de produção demanda técnicas de manejo dos recursos naturais sem perder de vista a sua dinâmica temporal produtiva. Para que a tecnologia esteja validada e disponível, implica, muitas vezes, em meticuloso processo de geração e transferência dos resultados da pesquisa para os produtores. Está implícita a necessidade de recursos humanos bem treinados e disponibilidade de recursos financeiros para custeio e investimentos. Será que as instituições responsáveis pela promoção do desenvolvimento harmonioso dessa região estão contando com a infra-estrutura indispensável para gerar e transferir os conhecimentos e tecnologias que a sociedade regional tanto demanda? Ou estamos adequando a demanda regional à nossa efetiva capacidade de fazer pesquisa e ajustando-a aos parcos recursos públicos que se dispõe atualmente?