29-11-2005
Antes do uso dos derivados de petróleo em larga escala (século XX e início do século XXI), as principais fontes de energia utilizada pela civilização eram o carvão mineral e os produtos da biomassa, principalmente de madeira ou subprodutos da atividade agrícola. O aumento da demanda de derivados de petróleo e consequentemente alta de preço têm estimulado o desenvolvimento de combustíveis alternativos. Para a gasolina, o álcool já demonstrou sua eficiência e o Brasil é o líder mundial nesse tipo de combustível. Para o diesel, o combustível líquido mais usado no Brasil, principalmente em veículos de transporte de carga e passageiros, os primeiros passos para sua substituição ainda estão começando. A principal fonte para os substitutos de diesel estudados tem sido os óleos vegetais e gorduras animais, que são compostos químicos denominados de triglicerídeos. Há três caminhos que estão sendo analisados para a produção de substitutos do diesel a partir dos trigligerídeos: O uso do óleo vegetal virgem; dos produtos de pirólise dos triglicerídeos (semelhante ao craqueamneto do petróleo) e a conversão dos triglicerídeos em mono-esteres pelo processo de transesterificação (esse último produto é que tem sido denominado oficialmente de biodiesel). As vantagens e desvantagens de cada tecnologia são:
1- O uso direto dos óleos vegetais em motores diesel.
A grande vantagem desse produto é que pode ser obtido diretamente de grãos por simples processo de prensagem e filtragem e assim é o que tem menor custo de produção. Quando o motor diesel foi desenvolvido pelo engenheiro alemão Rudolph Diesel, em 1859, usou como combustível de seu motor o óleo de amendoim. Como o petróleo e seus derivados se tornaram abundantes e baratos no início do século 20, os motores tipo diesel foram adaptados para usarem o óleo de petróleo, denominados de óleo diesel.
No entanto, antes de morrer fez a seguinte declaração sobre o uso óleos vegetais em motores diesel:
“O uso de óleos vegetais para combustíveis de motores hoje é insignificante. Mas podem se tornar, com o tempo, um produto tão importante quanto o petróleo e o carvão são hoje”. Rudolph Diesel, 1912.
As crises de petróleo ocorridas nos últimos 30 anos provocaram muitos estudos do uso de óleos vegetais como substituto para o diesel, tanto no Brasil quanto no exterior, principalmente no final da década de 70 e começo da de 80.
No Brasil, foram feitos diversas análises com uso de óleos vegetais in natura em caminhões e máquinas agrícolas. No entanto, essas avaliações demonstraram que há vários problemas a serem resolvidos: Grande depósito de carbono nos motores; entupimento dos filtros e bicos injetores; contaminação do óleo do motor entre outros fatores e que comprometem a durabilidade do motor e aumenta os custos com manutenção. Atualmente estão sendo realizados novos trabalhos tentando reduzir esses problemas. Alguns desses trabalhos têm demonstrado que algumas adaptações nesses motores têm permitido o uso de óleos vegetais em motores estacionários de grande porte, principalmente, para geração de energia elétrica. Como esses motores funcionam continuamente, pode-se utilizar uma câmara de aquecimento do óleo vegetal para reduzir a viscosidade e facilitar a injeção na câmara de combustão.