11-05-2001
Os bovinos tiveram ao longo dos tempos a graça de desenvolverem os seus sistemas digestivos, permitindo alimentarem-se de vegetais fibrosos com as mais variadas características. Este desenvolvimento permitiu a instalação de bactérias, protozoários e fungos em um compartimento maior do trato digestivo em perfeito mutualismo (rúmen), definindo a espécie como "ruminante". Esta interação talvez tenha feito dos bovinos os animais domésticos e de exploração econômica que em seu habitat menos compete com o homem. É também por esta razão que muito se pesquisa sobre a fantástica máquina chamada rúmen; ambiente de degradações e sínteses que fascina a todos que tentam desvendá-lo.
Deixando o fascínio e a filosofia de lado, vamos ao foco principal deste assunto, destacando o que estava tendendo a acontecer com a bovinocultura brasileira.
São inúmeras as pesquisas que orientam para a utilização de subprodutos de indústrias frigoríficas (farinhas de carne e ossos) e dejetos (aves e suínos) para a produção econômica de carne e ou leite – o que para nós que estamos neste segmento pode parecer perfeitamente normal e até de bom senso. Mas, paralelamente a estas alternativas, começamos a observar alguns comportamentos contrários ao consumo de carne vermelha por alguns segmentos da sociedade (na maioria das vezes sem nenhum fundamento científico, apenas filosófico) e, além deste fato, começamos a ver nas mais diversas partes do mundo o aparecimento da doença da vaca louca, o que para alguns pode ser a gota d’água para deixar de consumir tão nobre alimento (necessário ao ser humano).
Por estas razões devemos refletir sobre o nosso sistema de produção. E a primeira pergunta é: devemos assistir os ruminantes tornarem-se sócios dos urubus? Explorados como ferramentas de limpeza ambiental? E contribuindo para o errôneo preconceito sobre a real qualidade da carne?