21-07-2005
Não é segredo que a maioria dos países que participam da Organização das Nações Unidas, assinaram um acordo para redução das emissões gasosas e promoção de alternativas econômicas que levem em consideração os direitos ambientais e sociais dos indivíduos.
Também não passou despercebido pela grande maioria das nações, que o referido acordo estabelece um mecanismo para troca de créditos entre esses países, os Créditos de Emissões Reduzidas - CRE, para projetos que seqüestrem, em países em desenvolvimento, o CO2 emitido por países desenvolvidos.
O que tem passado despercebido pela classe ruralista e mesmo pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, é o fator soja como garantia da instalação do Desenvolvimento Sustentado na Amazônia Brasileira.
Projetos de Desenvolvimento Sustentado tem de estar alicerçados no tripé sócio-econômico-ambiental, para que possam ser aceitos como alternativa, dentro dos preceitos do próprio protocolo.
A Amazônia Brasileira é sabidamente emissora de CO2, inclusive em áreas de transição para o Cerrado, notadamente na região aonde se usou denominar “Arco do Desmatamento”. Isso tudo segundo pesquisas do LBA – Large Biosphere Assessment.
Além disso, os resultados econômicos da atividade de manejo florestal sustentado, geram cerca de R$0,65 (sessenta e cinco centavos de real) por hectare, por mês, para as famílias, empresas ou comunidades florestais.
Enquanto no primeiro caso o ambiente está sendo prejudicado, no segundo a variante econômica está sensivelmente afetada. Resta o aspecto social.
Sem condições econômicas de subsistência e respirando um ar rico em CO2, é difícil imaginar que a vida das pessoas possa estar sendo melhorada de alguma forma com o procedimento. Na realidade, o que se percebe é que os projetos florestais sustentados são uma armadilha. Assim que aparece uma outra oportunidade, as pessoas, famílias, empresas ou comunidades partem na sua direção, deixando para trás a utopia de uma sociedade de novos silvícolas.
Tornando ainda mais caótica uma situação bastante delicada, o surgimento e ressurgimento de doenças relacionadas a ambientes silvestres e a fúria das recentes epidemias oriundas de ambientes tropicais, faz com que o aspecto social dos projetos de uso de florestas nativas esteja fortemente comprometido.
Enquanto isso, a soja e a pecuária, para mencionar somente dois dos maiores “vilões”, que o ambientalismo usa para combater o avanço do Desenvolvimento Sustentado no Brasil, sofrem ataques injustificados.