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A Embrapa e as mudanças climáticas

12/05/2008

O clima do planeta Terra, entendido como um sistema interativo e de natureza complexa, evolui no tempo sob a influência da dinâmica interna de seus componentes (atmosfera, biosfera, hidrosfera, criosfera e superfície terrestre). Também atuam nessa evolução fatores externos ao sistema climático, cujas alterações o afetam direta ou indiretamente, tais como erupções vulcânicas, variações da órbita terrestre e no nível de atividade solar, entre outros.

O efeito estufa é um fenômeno natural ligado ao balanço energético da Terra, responsável por mantê-la cerca de 30o C mais aquecida do que seria na sua ausência, permitindo a manutenção da vida no planeta como se conhece hoje. Certos gases da atmosfera - chamados de gases de efeito estufa (GEE), apesar de presentes em pequenas concentrações, possuem alta capacidade de reter calor. Desse modo, fazem com que a atmosfera atue como uma redoma de vidro, permitindo a passagem da luz solar e aprisionando o calor emitido pela superfície terrestre. Os principais GEE naturais são dióxido de carbono – CO2; metano - CH4; óxido nitroso - N2O, ozônio – O3 e vapor d’água – H2O.

Na história geológica da Terra, mudanças climáticas sempre ocorreram numa escala de tempo longa, de milhares ou centenas de milhares de anos. Atualmente, o que tem sido constatado é que mudanças climáticas no planeta vêm ocorrendo no intervalo de poucas décadas, manifestando-se de várias formas, entre as quais o aquecimento global é a mais evidente. Desde que começou a ser medida sistematicamente no ano de 1861, a temperatura média no planeta aumentou quase 1°C. Em seu Quarto Relatório de Avaliação (AR4), divulgado em novembro de 2007, o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) revelou que o período de 1995 a 2006 foi o mais quente dos últimos 150 anos, além de fazer projeções sobre aumentos de temperatura global entre 2 e 4°C até o ano de 2100. A atmosfera terrestre nos dias de hoje também é significativamente diferente do que era há 150 anos, sobretudo no que diz respeito às concentrações de gases de efeito estufa. A concentração global média de CO2, por exemplo, aumentou de 281 ppm no início do século XIX para 381 ppm no ano de 2006. Esse aumento tem sido apontado como uma das causas do aquecimento global do planeta. Análise recente do ar aprisionado em geleiras polares revelou relação direta entre as temperaturas do planeta e as concentrações de dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4). Nos períodos interglaciais sempre que subiam as concentrações desses gases, ocorriam aumentos também na temperatura e vice-versa. Porém, esses mesmos estudos mostraram que essas alterações ocorreram numa escala de milhares de anos. A velocidade e a intensidade observadas para essas mudanças no período atual são incompatíveis com os tempos necessários à adaptação natural dos ecossistemas e não podem ser explicadas apenas pela influência de fenômenos naturais.

Até meados do século XVIII, e portanto antes da Revolução Industrial, a quantidade de GEE na atmosfera permaneceu relativamente constante. Desde então, a concentração de vários deles começou a aumentar, intensificando o efeito estufa natural. Esses aumentos são atribuídos às atividades antrópicas, particularmente àquelas que envolvem queima de combustíveis fósseis para uso industrial, doméstico ou em transporte e mudanças no uso da terra, a qual ocasiona remoção e queima da vegetação, quer seja para urbanização, quer seja na conversão de florestas para sistemas de cultivos agrícolas destinados à produção de alimentos e fibras. A crescente intensificação das atividades econômicas dos últimos 50 anos, necessária para atender ao crescimento exponencial da população mundial, tem agravado o problema. O CO2 figura como o principal gás responsável pelo efeito estufa, correspondendo a 77% da emissão.

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Ana Helena B. Marozzi Fernandes Envie um email!
Pesquisadora - EMBRAPA/CPAP
Fernando Antonio Fernandes Envie um email!
Pesquisador - EMBRAPA/CPAP

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