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Mato Grosso quebra recorde de produção de milho, mas chuva fora de época deve trazer prejuízo aos produtores
Mato Grosso acaba de bater um recorde na produção de milho. Segundo dados do Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária), o Estado já produziu até agosto deste ano pouco mais de 8,5 mil toneladas do grãos, uma marca jamais alcançada e que representa um crescimento de cerca de 10% em relação à última safra. No entanto, o milho excedente não tem onde ser armazenado e, a céu aberto, está sofrendo com as chuvas fora de época.

O presidente da Famato (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso), Rui Prado, comenta que essa produção jamais vista no Estado é boa pelos aspectos produtivos, mas certamente irá trazer prejuízo ao produtor.

Ele explica que a união de alguns fatores criaram a situação atípica neste ano. Primeiro, o bom clima durante o ano, que propiciou uma produção muito boa, além das estimativas, do milho em Mato Grosso.

Outro fator somado ao cenário são as chuvas que insistem em ocorrer até o fim de agosto, o que não costuma acontecer. Neste ano, só neste mês, a meteorologia registrou a marca de 89 milímetros de chuva. Marca maior que essa foi registrada apenas em 1989, 102 milímetros. Ou seja, nos últimos 20 anos não se via tanta água no mês de agosto.

O terceiro fator é puramente logístico, decorrente da falta de espaços de armazenagem dos estoques excedentes e da falta de escoamento da produção. Atualmente existem cerca de 550 mil toneladas de milho estocados a céu aberto no Estado.

“Mato Grosso é um grande produtor de milho, mas não é um grande consumidor dele. O governo tem políticas de escoamento da produção, mas não tem exercido em Mato Grosso”, pontua Rui Prado.

Ele afirma que é fundamental ao Estado obter investimentos em infraestrutura e logística, com a construção de mais rodovias, hidrovias e ferrovias, possibilitando o escoamento do milho e de diversos outros produtos agrícolas de Mato Grosso.

O Ministro da Agricultura e Pecuária, Reinhold Stephanes, esteve em Cuiabá na última semana para participar na Bienal dos Negócios da Agricultura. Prado conta que o ministro é o grande interlocutor dos produtores junto ao governo federal e que os diálogos sobre os problemas no Estado já estão sendo discutidas há muito tempo. “Mas o governo não atendeu a tempo”, diz o presidente da Famato.

Ainda não há nenhum dado ou previsão dos prejuízos dos produtores de milho por conta das chuvas. Mas, já existe uma alternativa que pode amenizar o problema. Na próxima sexta-feira haverá um leilão de 760 mil toneladas do grão, sendo 500 apenas de Mato Grosso ( 200 mil t da região Norte do Estado, 200 mil t do Médio Norte e 100 mil t da região Sul).

Fonte: Olhar Direto

Data: 28-08-2009
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