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SE - Goiaba gera lucro para produtores do Sertão
Canindé do São Francisco - Quem vê a atual situação dos agricultores do perímetro irrigado Califórnia, em Canindé do São Francisco, no Alto Sertão sergipano, acredita que eles nunca tiveram grandes problemas com suas plantações, principalmente com a da goiaba, que hoje é responsável por boa parte do lucro gerado no perímetro. Porém, o começo desse grande cultivo não foi tão fácil assim.

Há aproximadamente quatro anos surgiu no município uma empresa chamada Goiabrás que, através do administração estadual anterior, trazia para os produtores uma série de promessas, garantindo a eles a compra de toda a produção. Os agricultores, prevendo um grande investimento, procuraram os agentes financeiros e amarraram um endividamento bancário para a implantação desta cultura com a garantia do preço preestabelecido pela empresa.

O que eles não esperavam era que, antes que a goiaba começasse a produzir, a empresa desaparecesse da cidade, deixando os agricultores abandonados. “A verdade é que o produtor ficou sem solução, sem ter para quem vender o produto, porque o que foi produzido por eles, além de ser de má qualidade, não tinha um mercado para ser destinado. Não existia uma uniformidade de produção. Um dia se produzia mais que outros e o produtor não tinha como buscar 20 caixas de goiaba na carroceria de uma pampa. Não compensava para os produtores”, relembra o engenheiro agrônomo e diretor do perímetro, José Gomes da Silva Filho.

Para Gomes, o pior de tudo foi a dívida que os agricultores assumiram com o banco e que deveria ser paga, independente do calote dado pela empresa trazida pelo Governo anterior. “Quando se toma um empréstimo no banco, você tem uma carência e depois de certo tempo tem que restituir dentro do prazo. Para os produtores foi um grande problema, porque se eles não tinham para quem vender não iam produzir e se não produzissem como iam pagar?”, questiona.

Ajuda chegou

Para solucionar os problemas dos agricultores, a atual gestão do Governo do Estado determinou que fosse desenvolvida uma política de agricultura focada no mercado e na tecnologia para melhorar a produtividade. Através da Companhia de Recursos Hídricos e de Irrigação de Sergipe (Cohidro), o Governo começou a promover estudos junto aos principais consumidores da fruta, com o objetivo de encontrar alternativas ao resgate econômico da cultura da goiaba.

A primeira medida tomada pela Cohidro, após os estudos, foi o desenvolvimento de um projeto de financiamento agrícola no qual definiria a compra da produção da goiaba pelas indústrias de doces e de popas. “Firmamos parcerias com as indústrias Tambaú, Doces Populares, Fazendas Amarelas, Pomar e Jassem. Após a confirmação das indústrias, a fruta também foi oferecida para o mercado de mesa (consumo in natura), com o objetivo de não ter uma demanda menor do que a indústria ofertou”, relata Gomes.

“A indústria não pode competir com o mercado de mesa porque ele paga um preço muito alto pelo produto. Para ela, não importa se a goiaba é de primeira ou de segunda, afinal como a fruta será utilizada na produção do doce, será consequentemente esmagada. Porém, como a goiaba é atualmente um produto escasso, até mesmo a de segunda acaba tendo um preço bom. Quem ganha no final das contas é o produtor”, detalha o engenheiro agrônomo.

O segundo passo da Cohidro foi fazer a abertura de uma linha de crédito para os agricultores que, mesmo endividados, poderiam adquirir o financiamento e melhorar tanto a produção quanto a qualidade do produto. “O produtor passou a reinvestir na cultura da goiaba tão logo começou a produzir, se capitalizou e pagou o que devia ao agente financeiro”, acrescenta o engenheiro.

Quem foi enganado pelas promessas da Goiabrás hoje comemora os bons resultados do cultivo no perímetro Califórnia. “A produção de goiaba está sendo boa. Já tem gente aqui no perímetro querendo plantar mais, só que o chefe Gomes está pedindo calma, porque de repente podemos ter uma entressafra grande e acabarmos tendo problemas. Quem trabalha direitinho no seu lote com a sua plantação consegue tirar entre R$ 1mil e R$ 2 mil por mês, só com a goiaba. Moro aqui há 22 anos e não pretendo sair nunca”, garante o produtor José Onaldo da Silva, satisfeito com a produção da goiaba dentro do perímetro.

Nova era

Atualmente, o perímetro irrigado Califórnia possui 249,19 ha de goiaba e a meta do Governo é alcançar os 300 ha. A fruta é vendida a R$ 0,85 o quilo para o mercado de mesa e R$ 0,45 para a indústria. No primeiro semestre de 2009, a fruta gerou uma receita de quase R$ 6 milhões no Califórnia.

“Esse resultado só foi obtido porque priorizamos a situação dos produtores de goiaba que estavam desesperados com a situação. É fruto ainda da eficiência obtida pela assistência técnica, responsável por conduzir o agricultor em atividades até então desconhecidas para ele, como a administração do seu lote e o manuseio do novo sistema de irrigação”, frisa o presidente da Cohidro, Osvaldo Nascimento.

As mudas de goiaba utilizadas no perímetro vêm da cidade de Brotas (SP), possuem o Certificado Fitossanitário de Origem (CFO) e Permissão de Trânsito Vegetal (PTV). A Cooperativa de Fomento Rural e Comercialização do Perímetro Califórnia (Coofrucal), junto com a Cohidro, viabiliza essas mudas por conta do alto padrão de qualidade que elas possuem.

Fonte: Governo de Sergipe

Data: 25-08-2009
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