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RS - Cevada cervejeira em qualificação - Acadêmica da UPF pesquisa quais são as melhores cevadas destinadas à produção de cerveja para serem plantadas no Rio Grande do Sul
Passo Fundo - O produtor rural Romeu Garcia deixou de plantar cevada cervejeira porque há cinco anos teve uma decepção. Quando foi entregar a colheita esperando ter um ganho diferenciado pelo plantio da variedade destinada à produção de cerveja, descobriu que a sua cevada não oferecia as condições mínimas exigidas pela indústria. Dessa forma, toda a colheita serviu apenas para forragem. Passados cinco anos, Garcia voltou a semear cevada cervejeira nos campos da sua propriedade localizada em Ernestina. Uma área pequena, apenas 4,5 hectares, recebeu sementes no final de junho. “Vou experimentar novamente. Hoje existe mais tecnologia e vou cuidar bem do manejo na área. Dessa vez quero entregar a cevada em condições para cerveja”, garante o agricultor.

Além de esperar um ganho maior com essa cultivar e não ficar dependendo somente da colheita da soja, por exemplo, Garcia também tem outro motivo que o fez voltar a semear cevada. Sua neta, a acadêmica do curso de Ciências Biológicas da Universidade de Passo Fundo (UPF) Michele Garcia Dal Paz, elaborou um projeto sobre a capacidade das 27 cultivares de cevada cervejeira mais plantadas no Rio Grande do Sul. A pesquisa apontará qual delas tem mais qualidade, em diversos aspectos, para atender à indústria. Segundo a aluna, o caso do seu avô acontece com muitos outros agricultores, já que a cevada produzida na região é toda destinada à malteação com padrões rígidos de qualidade. “A germinação é um dos requisitos exigidos pela indústria malteira. Segundo os padrões de exigência, os grãos destinados à malteação devem ter um poder germinativo mínimo de 95%”, explica Michele.

Devido a essa porcentagem de exigência, diversos produtores rurais não conseguem entregar a sua safra para a indústria cervejeira, pois o cereal necessita de muito cuidado e investimento desde a sua semeadura. Com o estudo, a acadêmica quer apresentar que as variedades conseguem ter um poder maior de germinação. “A colheita é realizada apenas uma ver por ano, mas a malteação é feita sempre. É preciso saber, inclusive, qual cultivar tem maior potencial de germinação após um ano colhida”, enfatiza Michele.

Cevada vale a pena?

De acordo com a estudante, vale a pena plantar a cevada cervejeira porque ela tem mercado próprio – as industriais de cerveja (maltarias).Inclusive, uma delas deve estar se instalando em Passo Fundo. Dessa forma, segundo Michele, haverá um aumento no fomento de cevada cervejeira. “Em contrapartida, tem-se a cevada forrageira que, além de possuir os mesmos custos de manejo que a cervejeira, não possui mercado e é inadequada para forragem, comparando-se com uma cultura de aveia ou azevém”, afirma. Lembra que o produtor rural leva vantagem cultivando, por exemplo, aveia para alimentação animal, que apresenta maior quantidade de matéria seca, o que não é característico da cultura de cevada.

Incremento na produção

A pesquisa, iniciada no ano passado, com a colheita das 27 cultivares plantadas nos campos experimentais da UPF, está sendo finalizada com o planilhamento dos dados, após dois tipos de testes específicos para se descobrir detalhes sobre cada uma das cevadas cervejeiras. “Devido às questões climáticas instáveis que caracterizam a região, um dos principais fatores limitantes é a produção de grãos com qualidade industrial. A principal característica qualitativa afetada pelas condições climáticas adversas durante a formação do grão e a colheita é o poder germinativo abaixo de 95%”, explica a aluna, lembrando que com a instalação de uma maltaria em Passo Fundo deverá haver um incremento da área cultivada de cevada cervejeira no Planalto Médio.

De acordo com ela, também há necessidade de se conhecer de que maneira o armazenamento afeta o vigor dos grãos. “Por essa razão, avaliamos todos os cultivares disponíveis de cevada para ver as diferenças em relação ao vigor na colheita e à variação do mesmo durante o armazenamento”, destaca.

A produção brasileira de cevada para fins cervejeiros está concentrada em regiões espalhadas pelos três estados do sul. Segundo dados do IBGE, em 2007 foram cultivados 50.199 hectares, dos quais 47% no Paraná, 2% em Santa Catarina e 50% no Rio Grande do Sul. Neste mesmo ano, foram produzidas 107.901 toneladas, com uma média de 2.149 quilos por hectare. “Considerando as condições de clima da região e os altos padrões de exigência qualitativa, há um desafio permanente no desenvolvimento de novos cultivares, que, além de maiores potenciais de rendimento, também apresentem melhor qualidade industrial”, finaliza Michele

O que é o malte?

O malte é produzido a partir de um processo biológico, demorado, que consiste na modificação do endosperma da semente, através da germinação sob condições e fabricação de cervejas. A germinação é fundamental para este processo industrial, realizado em ambiente controlado. As mudanças que ocorrem, acontecem no interior do grão, pela ativação das enzimas hidrolíticas, desencadeando modificações químicas dos principais componentes do grão (amido, proteínas, entre outros.), que, após secagem, deixa o produto (malte) pronto para fermentação cervejeira. A viabilidade e vigor da cevada selecionada para malte são de importância crucial.

Foto: Jaques Hickmann

Para Michele Dal Paz haverá um fomento de cevada cervejeira na região

Jaques Hickmann

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Fone: 0xx 54 3316 8142 / 3316 8110 / 3316 8138

http://www.upf.br

Data: 24-08-2009
Fonte: UPF
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