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MT - Soja e milho em queda livre. Quem vai encarar?
Quem vai encarar a safra 2009/2010 com a soja por até US$ 6 por bushel e o milho podendo atingir limites de até US$ 2,30 por bushel? A pergunta ecoou nesta manhã durante o painel ‘Mercado de Commodities Pós-Crise Mundial – Previsões de Safras e Preços’, que abriu o segundo dia de trabalhos da terceira edição da Bienal dos Negócios da Agricultura, que está sendo realizada no Cenaruim Rural, em Cuiabá.

O painel foi apelidado pelos produtores como o encontro dos três temores, já que pela primeira vez, analistas dos três maiores produtores e exportadores de soja do mundo – Estados Unidos, Brasil e Argentina – se encontram num mesmo evento para traçar mercados.

Diante de um cenário adverso, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) – promotora da Bienal – Rui Ottoni Prado, frisa que não ao produtor outra alternativa a não ser acompanhar diariamente o mercado e fechar vários pequenos lotes que garantam margens. “Mercado é algo que está além da nossa eficiência da porteira para dentro. Temos um grande custo de produção para um produtor que não formamos preço, quem forma é o mercado”.

Depois que analistas de mercado do Brasil, Argentina e Estados Unidos traçaram as perspectivas futuras da soja, algodão e milho em níveis baixistas, o produtor mato-grossense viu as possibilidades de ganhos com a nova safra se transformarem em ‘apocalipse’, como frisou o analista brasileiro e sócio da Agroconsult, André Pessôa. “A Agroconsult alerta para a saca em níveis abaixo de US$ 9, mas a informação fundamentada por Darin Newson (o analista norte-americano), de fato mostra um cenário ainda mais turvo”.

As projeções são fruto de alterações no consumo mundial, que devido a crise que eclodiu a partir de setembro do ano passado, desaceleraram o ritmo do apetite e no caso da China, revelou-se a necessidade de investir no orcessamento/industrialização de matérias-primas para reduzir a dependência por soja. “A tendência com isso é de que a China se torne concorrente do Brasil e da Argentina na exportação de óleo de soja e de farelo”.

O mercado futuro para entrega em 2010, atualmente oscila entre US$ 9 e US$ 11 por bushel – padrão de medida norte-americano que equivale a 27 quilos – e o último registro da soja a US$ 6 por bushel foi em outubro de 2006, período que coincidentemente, tinha um dólar cotado na casa dos R$ 1,80. Como aponta o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) o valor citado por Newson foi referência de preços por muito tempo. “O problema é que no começo de julho o bushel bateu recordes históricos ao registrar US$ 16,60, fazendo o mercado perder a referência e até de uma certa forma, US$ 6”. Mesmo com o dólar na mesma casa dos R$ 1,80, a diferença é que de 2006 para cá, os custos de produção majoraram em níveis elevados e que comprometeram a renda do produtor.

O milho que também sofre pressões do atual momento econômico mundial e super oferta, como frisa o analista norte-americano, Darin Newson, da The Progressive Farmer. Na atual temporada os Estados Unidos se prepara para colher produção acima de 85 milhões de toneladas e já projeta até 90 milhões toneladas para 10/11. “Com relação ao milho, nos preparamos para a segunda maior safra e esta mudança dramática de preços pode reduzir para até US$ 2. Em dezembro de 2006 o piso foi a saca do milho a US$ 2,30”. Ao algodão o analista destaque a média de preços deverá ser a menor dos últimos cinco anos. “A produção mundial da fibra está focada na demanda e não na oferta”.

Outro fator que deve acirrar o desequilíbrio entre oferta e demanda são os efeitos do El Niño que – que aquecem as águas do Pacífico – deverão ampliar o regime das chuvas na América do Sul e com isso, melhorar o desempenho da safra brasileira – projeção de atingir 64 milhões de toneladas – e impedir a quebra por seca da safra Argentina. É desta perspectiva aliada às projeções da soja norte-americana que o mercado emana sinais pessimistas.

O analista argentino, Pablo Adreani, da Agripac, observa que um novo mercado consumidor estará em evidencia em 2050, quando a Índia passar a China e responder por 18% da população mundial. “Serão 7 bilhões de toneladas a mais para suprir a demanda, ou 120 milhões de hectares a mais e só aqui na América do Sul é possível atender à demanda. Por isso, Argentina e Brasil não são concorrentes e são os únicos que com condições de prestar soluções de abastecimento ao mundo.

Fonte: Bienal dos Neg. da Agricultura

Data: 20-08-2009
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