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Commodities e ações têm a maior convergência de preços em 29 anos
A crise financeira mundial fez com que duas classes de ativos historicamente não relacionadas passassem a caminhar juntas. A convergência entre os preços de ações e de commodities ao longo dos últimos 12 meses aproximou-se de 80% - maior nível em 29 anos, aponta levantamento do banco de investimento Barclays Capital. Desde os anos 1970, a correlação média entre ambos foi de apenas 4%. Quanto mais próxima de zero é essa correlação, mais desatrelado está o comportamento desses ativos.

Commodities sempre foram vistas como um elemento de diversificação por investidores que aplicam seus recursos em papéis de empresas. Isso porque, em tese, os parâmetros que fazem oscilar os preços de matérias-primas são diferentes daqueles que explicam o sobe e desce das ações. É o que os economistas chamam de correlação negativa.

Essa divergência foi particularmente forte até meados do ano passado, antes do estopim da crise provocada pela quebra do banco Lehman Brothers nos Estados Unidos. Entre julho de 2007 e julho de 2008, o índice Dow Jones da bolsa de valores de Nova York acumulou queda de 15%. No mesmo período, o valor médio das commodities, medido pelo índice CRB, disparou 48% e alcançou o maior nível da história.

Nos 12 meses seguintes, o mercado estabeleceu um novo padrão, uníssono: as ações caíram mais 25%, desta vez acompanhadas pelas commodities, que desabaram 46%. Os dois mercados registraram seus menores níveis de preço em março e, desde então, deram início a uma vertiginosa recuperação. O índice Dow Jones subiu pouco mais de 40%, enquanto o CRB avançou cerca de 30% - ambos, para o maior nível desde novembro. Nos 13 pregões de agosto (até ontem), commodities e ações oscilaram na mesma direção em dez.

Presença de fundos especulativos

Essa evidente correlação positiva fez crescer ainda mais a desconfiança quanto ao bom funcionamento dos mercados futuros de matérias-primas, inicialmente destinados a proteger produtores e consumidores das oscilações de preço ao longo do tempo. O argumento dos críticos é de que a crescente participação de fundos especulativos nos pregões de energia, metais e produtos agrícolas acabou por "financeirizar" esses mercados, descolando-os de seus fundamentos. Ou seja, grandes investidores estariam operando commodities segundo a mesma lógica que os orienta a comprar e vender ações, provocando distorções lógicas.

"A falta de convergência entre preços físicos e futuros diminuiu de forma significativa a utilidade dos mercados futuros como instrumento de proteção para as empresas comerciais", afirmou recentemente Gary Gensler, presidente da Comissão de Comércio de Commodities e Futuros (CFTC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos. A CFTC estuda mecanismos para limitar a especulação em mercados como os de trigo e de petróleo.

O total aplicado por investidores em commodities cresceu de aproximadamente US$ 15 bilhões no início da década para mais de US$ 200 bilhões em 2008. "Hoje, os fundos já são responsáveis por 60% do movimento de futuros nas bolsas de commodities", lembra Steve Cachia, analista da corretora de grãos Cereapar.

Analistas reconhecem que a atuação dos fundos provocou distorções ao longo do último ano, mas não acreditam que a maior participação do capital especulativo assegure uma convergência definitiva entre os preços de commodities e ações.

"A correlação entre esses mercados é circunstancial. Seguramente, a entrada de investidores não cria uma tendência à convergência, porque os fundos podem entrar vendidos com a mesma facilidade com que entram comprados no mercado de commodities", afirma Bruno Rezende, economista da Tendências Consultoria.

Peso de fatores fundamentalistas

Os meses que antecederam a crise financeira provam essa tese. À época, investidores claramente apostaram na alta das commodities, respaldados pela forte demanda internacional, ao mesmo tempo em que apostaram contra o valor das ações e do dólar diante da deterioração da economia americana. Esses "spreads" foram desfeitos apenas quando ficou claro que a crise afetaria o consumo em todo o mundo.

Cachia lembra que, com a crise de confiança gerada pela quebra do Lehman Brothers, investidores liquidaram posições em todo tipo de investimento de risco, procurando abrigo em papeis seguros, como títulos do Tesouro americano. Mais recentemente, o sentimento de que a economia estaria se recuperando trouxe de volta a confiança do investidor, que voltou a colocar dinheiro no mercado como todo, sem grande distinção entre as classes de ativos.

"Hoje, o humor dos grandes investidores está atrelado à bolsa de valores. Mas, depois que os mercados se acomodarem, os parâmetros de oferta e demanda voltarão a ditar o comportamento de preço de cada produto", acredita Cachia.

Segundo Vinícius Ito, analista da corretora Newedge USA, em Nova York, períodos de crescimento acelerado ou recessão favorecem a convergência entre os preços dos ativos. "Em tempos de normalidade, a correlação entre commodities e ações é pequena. Mas quando existe uma tendência muito clara na economia, essa correlação fica mais forte", afirma. Tendências semelhantes foram observadas no início dos anos 1980 e em meados da década de 90.

"Embora as correlações positivas possam crescer em curtos períodos de tempo, a correlação mensal entre ações e commodities tem se mostrado insignificante desde os anos 1970. E é precisamente isso que se deve esperar para o futuro, já que commodities e ações são guiadas por diferentes fatores fundamentalistas - estas, pela expectativa de desempenho futuro, aquelas, pela interação em tempo real da oferta e da demanda", defende o Barclays Capital em sua análise.

O banco de investimento argumenta ainda que o fato de o crescimento da demanda mundial por matérias-primas ser cada vez mais puxado pelos países em desenvolvimento "reduz ainda mais o elo entre os tradicionais ciclos de negócios dos países desenvolvidos e os preços das commodities".

Gerson Freitas Jr. - AE

Data: 20-08-2009
Fonte: Agência Estado
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