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SP - Crise das usinas de álcool beneficia as distribuidoras
A crise no setor sucroalcooleiro tem beneficiado as grandes distribuidoras de combustíveis. Com linhas de crédito escassas e quase sem poder de barganha para negociar preços, boa parte das usinas do país está desovando seus estoques para fazer caixa, elevando as margens de lucros das principais redes de distribuição de combustíveis.

No primeiro semestre, as vendas de álcool combustível tiveram crescimento de 28,1%, o que mais do que compensou a queda no consumo de diesel (recuo de mais de 3%) em função do desaquecimento da atividade econômica. As vendas de gasolina praticamente ficaram estáveis no período, superando em volume as vendas de diesel. No cômputo geral, as vendas de combustíveis avançaram 3,5% no ano até junho.

A BR Distribuidora, que controla a maior rede de postos de combustíveis no país, vendeu 1,68 bilhão de litros de álcool no primeiro semestre, o que significou aumento de 46,3% sobre o mesmo período de 2008. A participação do álcool nos negócios do grupo Ultra, que controla as redes Ipiranga e Texaco, aumentou de 5% para 7% no segundo trimestre do ano na comparação com igual período do ano passado. A Cosan está comprando álcool de usinas rivais para abastecer sua rede de postos com a marca Esso.

Desde o ano passado, o volume de álcool combustível (hidratado e o anidro, que é misturado à gasolina) superou a gasolina em vendas. A crescente demanda pelo etanol no mercado reflete o aumento da frota de carros "flexfuel" no país, cujas vendas cresceram 41% no primeiro semestre deste ano. "Os preços do álcool hidratado atingiram um dos mais baixos patamares dos últimos anos no início desta safra", afirmou Alísio Vaz, diretor do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom).

Com a brusca queda na demanda mundial por etanol e maior oferta do produto no país, os preços do álcool hidratado vendidos pelas usinas estavam de R$ 0,59 a R$ 0,60 o litro no início desta safra, em abril, o que significa recuo de 13% sobre igual período do ano anterior, enquanto os custos superavam R$ 0,70. Atualmente, o etanol sai das usinas a R$ 0,71 por litro.

A queda de preços acabou refletida nos preços do combustível negociado pelas distribuidoras às revendas. No mercado paulista, a BR Distribuidora, Ipiranga e Shell vendiam o álcool de R$ 0,79 a R$ 1,16 o litro em junho, um valor abaixo do comercializado no mesmo mês do ano passado, quando esse preço oscilava entre R$ 0,86 e R$ 1,29, segundo dados da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis).

A Cosan, o maior grupo sucroalcooleiro do país e controlador da CCL (Cosan Combustíveis e Lubrificantes), dona da Esso, está comprando álcool mais barato de usinas concorrentes para vender na sua rede distribuição. No primeiro trimestre do ano-safra 2009/10, a margem de lucro da CCL ficou em 3,8%, considerada elevada para o segmento. Tradicionalmente, esta margem oscila entre 2,5% e 3%.

"Os preços do álcool caíram expressivamente nas usinas", afirmou Marcelo Martins, vice-presidente financeiro e de relações com o mercado da Cosan. Segundo ele, a CCL compra um volume muito reduzido de álcool combustível das usinas da Cosan. "Isto mostra uma independência das divisões de negócio. As duas empresas [Cosan e CCL] buscam o máximo de eficiência no negócio", disse. Martins acredita que a boa margem de lucro da Cosan neste primeiro trimestre reflete a sinergia entre as duas companhias, uma vez que é a única produtora de álcool que possui uma rede de distribuição de combustíveis.

A Esso não tem um perfil de venda mais alcooleiro que a concorrência. Levantamento obtido pelo Valor mostra que a Shell comercializou 2,8 bilhões de litros de gasolina e álcool de janeiro a julho deste ano, dos quais o álcool correspondeu 46% do total. No mesmo período, a Esso vendeu 1,4 bilhão de litros, com o álcool respondendo por 32% do total. O etanol representou 33% dos 6 bilhões de litros vendidos pela BR Distribuidora. O grupo Ultra (Texaco e Ipiranga) vendeu no mesmo período 36% de álcool dos 4,5 bilhões de litros.

O grupo Ultra reportou aumento de 8% nas suas vendas de combustíveis como etanol, gasolina e gás natural veicular (GNV) no segundo trimestre e notou queda de 5% nas vendas de diesel na rede Ipiranga. Embora tenha conseguido melhorar sua margem na cadeia de postos com a bandeira Ipiranga, a margem total dos negócios de combustíveis do grupo foi afetada pelas despesas para conversão de 830 postos da Texaco à sua rede.

Segundo disse o diretor financeiro do grupo, André Covre, em conversa com analistas na semana passada, a intenção da empresa é fazer com que a rede Texaco atinja, em dois anos, o mesmo nível de margem da rede Ipiranga. Em nota, o grupo Ultra informou que, em relação ao primeiro trimestre de 2009, o aumento na receita líquida total da Ipiranga foi proporcionalmente inferior ao aumento no volume de vendas, em função da redução dos custos do diesel e do etanol. Mônica Scaramuzzo e André Vieira

Data: 20-08-2009
Fonte: Valor Econômico
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