A mecanização da silvicultura, mais do um avanço tecnológico para o setor madeireiro, é uma tendência para os próximos anos. A maioria das empresas do ramo no Paraná e Santa Catarina ainda não utiliza máquinas na silvicultura por conta de entraves como a pouca difusão da tecnologia, a falta de fornecedores e limitação de recursos para investimentos. Mesmo assim, existe um fator que promete obrigá-las a utilizarem essa opção. “A crescente escassez de mão-de-obra deve ser um fator decisivo para o início dessa mudança. Essa realidade deve ser um incentivo para as empresas buscarem alternativas, como aconteceu com a colheita na década de 90”, afirma Ricardo Malinovski, doutor em engenharia florestal pela UFPR e um dos palestrantes da câmara técnica de silvicultura que aconteceu dia 12 de setembro, durante o 4º Congresso Florestal Paranaense, em Curitiba (PR).
Malinovski divulgou alguns números levantados em uma pesquisa realizada com 28 empresas do Paraná e Santa Catarina que mostram que elas estão conscientes dos benefícios da mecanização e desejam a mudança. “Um dos agravantes para a implantação desse sistema é o fato de cerca de 50% dos terrenos onde essas companhias estão instaladas é de relevo ondulado e fortemente ondulado”, explica o professor. O uso da silvicultura de precisão, que é um processo novo que começou a ser difundido há cerca de seis anos, é ainda mais raro, mas também é uma tendência.
Um passo antes da silvicultura está o cultivo de mudas, que junto com o manejo pode melhorar a produtividade do eucalipto e do pinus. “Em um país com proporções continentais como o Brasil, onde cada região tem um tipo de solo, de clima e de relevo, características que influenciam na escolha da espécie de eucalipto a ser cultivada”, diz o palestrante Gleison Augusto dos Santos, da CMPC. O problema dessa diversidade é que cada espécie possui características específicas que podem não ser as que o produtor busca. “Existem espécies que se adaptam bem ao frio, por outro lado são mais suscetíveis a doenças, o que pode não ser interessante”, exemplifica. O cenário ideal seria conseguir cruzar espécies para formar um híbrido com as características desejadas e no futuro produzir transgênicos capazes de se adaptarem às mais diversas condições, resistentes a pragas e doenças, densos, altos e adequados para o mercado.
Enquanto isso não acontece uma das formas de aumentar a produtividade das florestas plantadas é realizando o controle de pragas. As pragas podem ser um problema para a produção, mas também agem como um indicador de estabilidade ecológica. “A presença de pragas muitas vezes indica que o manejo não está adequado. Erros no preparo do solo e das mudas, estresse da planta e restos de poda favorecem o aparecimento de pragas, que poderiam ter sido controladas com correções nesses processos”, analisa o doutor em entomologia da Embrapa Florestas, Edson Tadeu Iede.
O monitoramento de pragas é um processo extremamente importante da silvicultura, mas muitas vezes negligenciado no programa de manejo. “Várias empresas não incluem esse controle na agenda e correm o risco de perder produtividade. Quanto mais cedo se descobre uma praga maior é a probabilidade de controlá-la e menor é o dano. A descoberta tardia pode ser em um estágio irreversível”, pondera.
Evento
Com foco no tema “Gestão Florestal: Produção, Conservação e Uso”, o 4° Congresso Florestal Paranaense, que está sendo realizado no Centro de Exposição Cietep, em Curitiba (PR), termina nesta sexta-feira, 14, com três visitas técnicas de campo para conhecer a área de floresta plantada da Arauco, em Cerro Azul (PR), as fábricas de móveis Artefama e Nasa, em São Bento do Sul (SC), e áreas de conservação na serra da Graciosa (PR).
Realização
O Congresso é uma promoção da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE), Associação Paranaense de Engenheiros Florestais (APEF), Embrapa Florestas e cursos de Engenharia Florestal da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Unicentro (Irati) e Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).O evento conta com patrocínio das empresas Arauco, Berneck, Remasa, Klabin, Pesa, Itaipu Binacional, Pöyry Silviconsult e Valor Florestal, além do Conselho Regional de Engenharia (CREA-PR), Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado do Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Instituto Ambiental do Paraná (IAP), CNPQ, BRDE, Copel, Fundação Araucária e Sindimadeira.
Serviço
4º Congresso Florestal Paranaense
Local: CIETEP – Av. Comendador Franco, 1341 – Jd. Botânico
Data: 10 a 14 de setembro de 2012
Informações e inscrições: www.congressoflorestalpr.com.br
Fonte: INTERACT Comunicação Empresarial