Em homenagem ao Dia do Índio, amanhã, 19 de abril, a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, uma das 47 unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, promove entre os dias 18 e 20 de abril de 2012, no hall do Edifício Sede da Embrapa, a exposição fotográfica "Povos indígenas e segurança Alimentar: ações da Embrapa". Na abertura, que acontece no dia 18 de abril, às 8h30, será apresentado também um ritual de dança indígena.
A exposição vai contar com 30 fotografias e vídeos que ilustram as ações desenvolvidas por várias unidades da Embrapa – Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília, DF); Acre (Rio Branco, AC); Roraima (Boa Vista, RR); Hortaliças (Brasília, DF) e Agropecuária Oeste (Dourados, MS) – em parceria com a Fundação Nacional do Índio – FUNAI em prol da segurança alimentar de povos indígenas de várias regiões brasileiras. Quem quiser pode visitá-la no período de 18 a 20 de abril, de 9 às 17 horas, no hall do Edifício Sede da Embrapa em Brasília (Parque Estação Biológica, Final da Av. W3 Norte).
Como começou a interação da Embrapa com povos indígenas?
A parceria da Embrapa com comunidades indígenas começou em 1995, quando representantes do povo indígena Krahô, de Tocantins, procuraram a Empresa em busca de sementes primitivas de milho e amendoim, que já não possuíam mais, em função da introdução de variedades comerciais em suas terras.
Graças às pesquisas de conservação e uso sustentável de recursos genéticos vegetais desenvolvidas pela Embrapa desde a sua criação na década de 70, as sementes estavam conservadas nas câmaras frias da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília, DF, a 20º abaixo de zero.
Desses espaços gelados saíram as sementes de milho e amendoim que foram, então, multiplicadas e entregues ao povo indígena Krahô.
O esforço pelo resgate de sua alimentação tradicional rendeu aos Krahô dois prêmios: em 1998, o primeiro lugar no prêmio “Gestão Pública e Cidadania” da Fundação Getúlio Vargas e, em 2003, o prêmio “Slow Food International biodiversity”, do Instituto Internacional “Slow Food”, da Itália.
Parceria de sucesso: alguns destaques
Esse foi o ponto de partida para uma parceria bem sucedida que acontece até hoje e já se estendeu a comunidades indígenas de diversas regiões brasileiras, envolvendo a Funai, unidades da Embrapa e outras instituições parceiras.
Quem visitar a exposição vai poder conhecer um pouco desse trabalho que envolve ações de pesquisa e de transferência de tecnologias a partir de cursos e outras atividades de capacitação. Confiram, abaixo, alguns dos destaques:
- Preservação e manejo sustentável do tracajá (parente da tartaruga da Amazônia) e de outras espécies alimentares de importância para etnias do Parque Indígena do Xingu (Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia em parceria com o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios – RAN/ICMBio, Centro Universitario de Vila Velha – UVV e Petrobras Ambiental);
- Plantio de 20 mil mudas nos quintais indígenas do povo Krahô, incluindo caju anão precoce e bananas resistentes à sigatoka negra (Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia);
- Curso de capacitação de agricultores indígenas (povo Canela, MA) das aldeias Porquinhos e Descalvados em estratégias de conservação de recursos genéticos ex situ e on farm, manejo e uso da agrobiodiversidade (Embrapa Recursos Genéticos e Embrapa Hortaliças);
- Curso de capacitação de agricultores Kaiapó (sul do Pará) em conservação da agrobiodiversidade in situ/ on far e ex situ. (Embrapa Recursos Genéticos, em parceria com a Embrapa Hortaliças e Associação Floresta Protegida – AFP);
- Contribuição para a etnossustentabilidade de comunidades indígenas Terena de Mato Grosso do Sul (Embrapa Agropecuária Oeste, em parceria com o CNPq, Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul - UEMS e Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural - Agraer);
- Introdução da piscicultura nas aldeias Bororó e Jaguapirú da Terra Indígena de Dourados, MS (Embrapa Produtos e Mercado – Escritório de Dourados,MS, em parceria com a Secretaria Municipal de Agricultura Familiar, Carteira de Projetos Indígena/ MMA e Associação Indígena Onhondivepá Guarani, Kaiowá e Terena, MS);
- Disponibilização de tecnologias relacionadas ao cultivo da mandioca em áreas indígenas do estado de Roraima. A mandioca é a base da alimentação das comunidades indígenas para produção de beiju, farinha e uma bebida muito apreciada: o caxiri. (Embrapa Roraima);
- Apoio à produção de melancia pelos índios do lavrado de Roraima, especialmente as etnias Macuxi e Wapichana, que são os maiores produtores dessa fruta no estado (Embrapa Roraima);
- Adoção da tecnologia de plantio de feijão caupi em consórcio com mandioca junto aos índios da savana de Roraima (Embrapa Roraima);
- Estudo dos aspectos culturais e sua relação com cultivos, práticas agrícolas e uso terapêutico de plantas medicinais em dez comunidades indígenas do grupo Kulina (Kulina do Rio Envira, Jaminawa-Envira e Kulina do Igarapé do Pau), no município de Feijó (AC), próximo à fronteira peruana (Embrapa Acre);
A abertura oficial da exposição fotográfica “Povos indígenas e segurança Alimentar: ações da Embrapa” acontece no dia 18 de abril de 2012 às 8h30 no hall do Edifício Sede da Embrapa (Parque Estação Biológica, final da Av. W3 Norte). Nos dias 19 e 20, a mostra pode ser visitada de 9 às 17 horas.
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia