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Genoma revela soja resistente à praga mais comum no Brasil
Uma equipe internacional de cientistas acaba de publicar a sequência completa do genoma da soja, com a promessa de uma safra farta de avanços na produção e na qualidade da planta. Os cientistas já identificaram, por exemplo, trechos de DNA que conferem resistência à ferrugem asiática, principal doença que afeta a soja no Brasil.

O país é o segundo maior produtor mundial da leguminosa, atrás apenas dos Estados Unidos. Ambos podem ter sua produção beneficiada pelo novo genoma, que também revelou mutações que tornam certas variedades da planta mais fáceis de digerir -ou diminuem os poluentes oriundos de porcos e aves cuja dieta tem a soja como base. De quebra, os dados também servirão para entender o DNA de "primos" importantes da planta, como o feijão.

Gorducha

O conjunto do DNA da soja é analisado em artigo na revista científica "Nature" desta semana. Sob o comando de Scott Jackson, da Universidade Purdue (EUA), os pesquisadores descobriram que a soja possui até três vezes mais genes ligados à produção de gordura do que a Arabidopsis, plantinha aparentada à mostarda que é usada em experimentos de botânica e também teve seu genoma totalmente "soletrado".

Aliás, a julgar pelo DNA, o metabolismo da soja parece curiosamente "bombado": bem mais ativo do que se vê no genoma de outras plantas.

"Ainda não temos uma explicação clara disso", contou Jackson à Folha. "A soja moderna foi domesticada, selecionada para ter sementes grandes, com grande quantidade de proteína e óleo, coisa que não aconteceu com a Arabidopsis. A soja selvagem tem sementes pequenas e pretas que não lembram em nada as que conhecemos." Outra possibilidade é que a interação da soja com microrganismos do solo, que a ajudam a capturar o nitrogênio do ar, expliquem parte de seu metabolismo "poderoso".

Outra esquisitice da planta é seu DNA "multiplicado". É como se a planta não tivesse só duas cópias de cada gene, uma vinda do lado materno e outra do lado paterno, como acontece com os seres humanos e a maioria dos animais e plantas, mas várias cópias por gene.

"Isso provavelmente explica a estimativa de 46 mil genes, que é bastante alta", diz o engenheiro agrônomo Eliseu Binneck, da Embrapa Soja, que também estuda o genoma da planta. "É possível que muitos desses genes na verdade não tenham função, o que vamos verificar daqui para frente."

Binneck é coordenador de bioinformática do GenoSoja, projeto brasileiro que deve se beneficiar dos dados internacionais para avançar no estudo de genes importantes da planta. "Parte do nosso trabalho agora é determinar equivalentes dos genes identificados em outras espécies", conta ele.

Reinaldo José Lopes

Fonte: Folha de São Paulo

Data: 14-01-2010
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